APLV em Lactentes: Diagnóstico com Teste de Provocação Oral

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Um lactente nascido a termo previamente hígido, em aleitamento materno exclusivo, com bom estado geral e ganho de peso adequado, iniciou com estrias de sangue nas fezes aos 60 dias de vida. Referente ao quadro clínico acima, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O teste de provocação oral faz parte do arsenal diagnóstico da APLV mediada e não mediada por IgE.
  2. B) O sangue oculto nas fezes é um exame de baixo custo e apresenta boa sensibilidade e especificidade para diagnóstico de APLV.
  3. C) A colonoscopia, que não é realizada rotineiramente, demonstra a presença de colite e o estudo histológico demonstra granuloma não caseoso.
  4. D) Os testes alérgicos que detectam anticorpos IgE específicos para antígenos alimentares são o padrão ouro para o diagnóstico desse tipo de alergia.
  5. E) No caso acima, a melhor opção de tratamento é o uso de fórmula de aminoácidos.

Pérola Clínica

APLV com sangue nas fezes → teste de provocação oral é padrão-ouro diagnóstico para APLV mediada e não mediada por IgE.

Resumo-Chave

O teste de provocação oral é o padrão-ouro para o diagnóstico de APLV, tanto mediada quanto não mediada por IgE, permitindo confirmar a alergia após um período de exclusão dietética e avaliar a tolerância.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, com manifestações clínicas variadas. O caso de um lactente em aleitamento materno exclusivo com estrias de sangue nas fezes é altamente sugestivo de APLV não mediada por IgE, onde as proteínas do leite de vaca ingeridas pela mãe passam para o leite materno e desencadeiam uma reação inflamatória no intestino do bebê. O diagnóstico da APLV pode ser desafiador. Enquanto a APLV mediada por IgE pode ser auxiliada por testes cutâneos de puntura (Prick test) e dosagem de IgE específica, a APLV não mediada por IgE, como a proctocolite alérgica, não apresenta esses marcadores. Nesses casos, o padrão-ouro diagnóstico é o teste de provocação oral, realizado após um período de dieta de exclusão (da mãe, se amamentando, ou do bebê, se em fórmula). O tratamento inicial para APLV em lactentes amamentados é a exclusão de laticínios (e, por vezes, soja) da dieta materna. Para lactentes em fórmula, a substituição por fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos é indicada. O teste de provocação oral é crucial não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para avaliar a aquisição de tolerância, que ocorre na maioria das crianças até os 5 anos de idade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da APLV em lactentes?

Os sintomas podem ser gastrointestinais (vômitos, diarreia, sangue nas fezes, cólicas), cutâneos (urticária, eczema) ou respiratórios (chiado, tosse). O caso descrito sugere uma forma não mediada por IgE, com manifestação gastrointestinal.

Como é realizado o teste de provocação oral para APLV?

Após um período de dieta de exclusão (da mãe ou do lactente), o teste envolve a reintrodução gradual e controlada da proteína do leite de vaca, observando a recorrência dos sintomas. Deve ser feito sob supervisão médica em ambiente controlado.

Por que os testes alérgicos de IgE não são o padrão-ouro para todos os tipos de APLV?

Os testes de IgE (como Prick test ou IgE específica sérica) são úteis para APLV mediada por IgE, mas são negativos na APLV não mediada por IgE, que se manifesta por mecanismos celulares. Nesses casos, a provocação oral é fundamental para o diagnóstico.

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