UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023
Carlos, 4 meses de idade, vai a consulta pediátrica com história de, há 14 dias, irritabilidade e diarréia (cerca de 3 episódios por dia), associada à presença de rajas de sangue em algumas evacuações. Sem vômitos ou febre. Tem ganho ponderal médio de 5g/dia. No exame físico: sem alterações importantes. Esteve em aleitamento materno exclusivo até os 30 dias de vida e, desde então, faz uso regular de fórmula láctea integral associada ao seio da mãe. Assinale a alternativa CORRETA.
Lactente com diarreia sanguinolenta, irritabilidade e baixo ganho ponderal após introdução de fórmula láctea → APLV = Exclusão de proteína do leite (mãe e bebê).
Os sintomas de Carlos (diarreia com rajas de sangue, irritabilidade, baixo ganho ponderal) após a introdução de fórmula láctea são altamente sugestivos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). O manejo inicial consiste na exclusão completa da proteína do leite de vaca da dieta da mãe (se amamentando) e a substituição da fórmula por uma extensamente hidrolisada para o bebê.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas, desde reações imediatas mediadas por IgE até reações tardias não mediadas por IgE, como a enteropatia. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e nos sintomas, e confirmado pela melhora com a dieta de exclusão e recorrência com a reintrodução (teste de provocação oral, se indicado). Os sintomas gastrointestinais, como diarreia com sangue, vômitos e baixo ganho ponderal, são comuns nas formas não mediadas por IgE. A irritabilidade é um sintoma inespecífico, mas que pode estar associado ao desconforto abdominal. O tratamento consiste na exclusão rigorosa da proteína do leite de vaca da dieta. Para lactentes em aleitamento materno, a mãe deve seguir uma dieta de exclusão. Para aqueles que usam fórmula, deve-se optar por fórmulas extensamente hidrolisadas ou, em casos mais graves, fórmulas de aminoácidos. É fundamental que residentes e estudantes de medicina saibam diferenciar a APLV de outras condições pediátricas, como intolerância à lactose ou infecções gastrointestinais, para instituir o tratamento correto e evitar intervenções desnecessárias. O acompanhamento nutricional é essencial para garantir o adequado crescimento e desenvolvimento da criança.
Os sintomas da APLV são variados e podem incluir manifestações gastrointestinais (diarreia com ou sem sangue, vômitos, cólicas, baixo ganho ponderal), cutâneas (urticária, eczema) e respiratórias (chiado, rinite). A diarreia com sangue é um sinal de enteropatia induzida por proteína alimentar.
A conduta inicial é a exclusão completa da proteína do leite de vaca da dieta da mãe (se amamentando) e a substituição da fórmula láctea por uma fórmula extensamente hidrolisada para o lactente. A melhora dos sintomas com essa intervenção é um forte indicativo diagnóstico.
A fórmula de soja não é a primeira escolha porque cerca de 30-50% dos lactentes com APLV também desenvolvem alergia à proteína da soja. Fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos são as opções preferenciais, pois suas proteínas são quebradas em fragmentos menores, diminuindo a alergenicidade.
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