APLV em Lactentes: Diagnóstico e Manejo no Aleitamento

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um lactente com cinco meses de vida, em aleitamento materno exclusivo, tem história de regurgitações pós-alimentares, com choro e irritabilidade. A mãe refere que o filho apresentou alguns episódios de arqueamento do tronco. O pediatra verificou desaceleração do ganho ponderal. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Está indicada a exclusão dietética da proteína do leite de vaca para a mãe, por pelo menos duas semanas. 
  2. B) Uma endoscopia digestiva normal afastaria a doença do refluxo gastroesofágico. 
  3. C) Deve ser iniciado o tratamento com omeprazol. 
  4. D) A phmetria está indicada por diagnosticar até os refluxos não ácidos. 
  5. E) O leite de soja é uma opção terapêutica. 

Pérola Clínica

Lactente com RGE, choro, irritabilidade e baixo ganho ponderal → investigar APLV; exclusão PLV da dieta materna é a primeira conduta.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sintomas sugestivos de doença do refluxo gastroesofágico (RGE) patológica (choro, irritabilidade, arqueamento, desaceleração do ganho ponderal). Em lactentes em aleitamento materno exclusivo com esses sintomas, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é um importante diagnóstico diferencial. A primeira medida é a dieta de exclusão de PLV pela mãe por 2-4 semanas.

Contexto Educacional

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é comum em lactentes, mas quando associada a sintomas como choro excessivo, irritabilidade, arqueamento do tronco (Síndrome de Sandifer) e, principalmente, desaceleração do ganho ponderal, deve-se investigar causas secundárias ou complicações. Uma das mais importantes, especialmente em lactentes em aleitamento materno exclusivo, é a alergia à proteína do leite de vaca (APLV). A APLV pode se manifestar com sintomas gastrointestinais que mimetizam a DRGE, além de outras manifestações cutâneas ou respiratórias. O diagnóstico é clínico e a primeira linha de manejo em lactentes amamentados é a dieta de exclusão da proteína do leite de vaca e seus derivados pela mãe, por um período de 2 a 4 semanas. A melhora dos sintomas durante esse período e a recorrência após a reintrodução confirmam o diagnóstico. É crucial evitar o uso indiscriminado de inibidores de bomba de prótons (como omeprazol) ou a realização de exames invasivos (como endoscopia ou pHmetria) antes de tentar a dieta de exclusão e outras medidas não farmacológicas. O leite de soja não é uma alternativa adequada para APLV em lactentes devido à alta chance de reatividade cruzada.

Perguntas Frequentes

Quais sintomas em um lactente amamentado sugerem APLV?

Sintomas incluem regurgitações frequentes, vômitos, choro excessivo, irritabilidade, arqueamento do tronco (Síndrome de Sandifer), baixo ganho ponderal, diarreia, sangue nas fezes, eczema e sintomas respiratórios.

Qual a primeira conduta para investigar APLV em lactente em aleitamento materno exclusivo?

A primeira conduta é a dieta de exclusão da proteína do leite de vaca (PLV) e seus derivados pela mãe, por um período de 2 a 4 semanas, observando a melhora dos sintomas do bebê.

Por que o leite de soja não é uma opção terapêutica inicial para APLV em lactentes?

O leite de soja não é recomendado como primeira opção para lactentes com APLV devido à alta taxa de reatividade cruzada (cerca de 50%) entre as proteínas do leite de vaca e da soja, podendo manter os sintomas alérgicos.

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