PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Lactente, dois meses de idade, é levado para consulta na UBS por apresentar irritabilidade, choro inconsolável, recusa alimentar e regurgitações. Não há relato de febre ou outros sintomas associados. À avaliação clínica, nota-se ganho de peso arrastado (escore-Z atual de peso entre -2 e -3). Mãe iniciou fórmula infantil logo ao nascer para complementar o aleitamento, pois achava seu leite ""fraco"". Foi iniciado tratamento para ""refluxo"" com domperidona há duas semanas, mas não houve melhora. Ao exame físico, apresenta abdome normotenso e indolor à palpação. O diagnóstico MAIS PROVÁVEL é:
Lactente com regurgitação, irritabilidade, baixo ganho ponderal + falha em tratamento para refluxo → suspeitar APLV.
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma causa comum de sintomas gastrointestinais e sistêmicos em lactentes, frequentemente mimetizando refluxo gastroesofágico. A falha no tratamento convencional para refluxo, associada a sintomas como irritabilidade e baixo ganho ponderal, deve levantar forte suspeita de APLV.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas, desde sintomas gastrointestinais e cutâneos até reações anafiláticas graves. É crucial para o pediatra reconhecer essa condição para um manejo adequado e evitar complicações nutricionais. A fisiopatologia da APLV envolve mecanismos imunológicos IgE-mediados, não IgE-mediados ou mistos. Os sintomas podem ser imediatos (IgE-mediados, como urticária, angioedema, anafilaxia) ou tardios (não IgE-mediados, como enteropatia, proctocolite, esofagite eosinofílica), o que dificulta o diagnóstico. A suspeita deve surgir em lactentes com sintomas gastrointestinais persistentes (regurgitação, vômitos, diarreia, sangue nas fezes), cutâneos (dermatite atópica) ou respiratórios (sibilância), especialmente se houver baixo ganho ponderal e falha em tratamentos empíricos para outras condições, como o refluxo. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na melhora dos sintomas com a dieta de exclusão da proteína do leite de vaca e na recorrência dos sintomas com a reintrodução (teste de provocação oral), que deve ser feita sob supervisão médica. O tratamento consiste na exclusão completa das proteínas do leite de vaca da dieta do lactente e da mãe (se amamentando). A maioria das crianças desenvolve tolerância até os 5 anos de idade, mas o acompanhamento nutricional é fundamental para garantir o crescimento e desenvolvimento adequados.
Sintomas comuns incluem regurgitações frequentes, vômitos, diarreia ou constipação, irritabilidade, choro excessivo, baixo ganho ponderal, e, em casos mais graves, sangue nas fezes ou lesões cutâneas.
A APLV geralmente apresenta sintomas mais graves e persistentes que o refluxo fisiológico, como baixo ganho ponderal e irritabilidade intensa, e não responde ao tratamento convencional para refluxo.
O primeiro passo é a dieta de exclusão da proteína do leite de vaca. Em lactentes amamentados, a mãe deve excluir laticínios da sua dieta; em lactentes em fórmula, deve-se usar fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos.
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