UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015
A mãe de um lactente de sete meses de idade queixa-se de que, desde que, há cerca de um mês, iniciou a alimentação complementar ao aleitamento materno — papa de frutas e legumes, e leite de vaca —, a criança passou a apresentar vômitos e diarreia com rajas de sangue. No exame físico, o médico observou peso/idade no escore Z !1; bom estado geral, hidratado, corado; e eritema descamativo em couro cabeludo e face.Com referência ao caso clínico acima apresentado, julgue o próximo item.O diagnóstico clínico provável para o lactente em questão é intolerância à lactose.
Vômitos + diarreia com sangue + lesões cutâneas após leite de vaca = APLV, não intolerância à lactose.
Vômitos e diarreia com rajas de sangue em lactente após introdução de leite de vaca, associados a baixo peso e eritema descamativo, são altamente sugestivos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). A intolerância à lactose geralmente não causa sangramento intestinal nem manifestações cutâneas.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando lactentes nos primeiros meses de vida, especialmente após a introdução de fórmulas infantis ou leite de vaca na dieta da mãe que amamenta. É uma condição imunomediada, que pode se manifestar de diversas formas, desde reações imediatas mediadas por IgE até reações tardias não-IgE, com impacto significativo na qualidade de vida e no desenvolvimento ponderal da criança. É um tema de grande relevância em provas de residência em Pediatria. A fisiopatologia da APLV envolve uma resposta imunológica anormal às proteínas do leite de vaca, como a caseína e as proteínas do soro. As manifestações clínicas são variadas, incluindo sintomas gastrointestinais (vômitos, diarreia com sangue, cólicas, constipação), cutâneos (dermatite atópica, urticária) e respiratórios (chiado, rinite). O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de exposição ao leite de vaca e na melhora dos sintomas com a dieta de exclusão, seguida por um teste de provocação oral, se seguro. O baixo ganho ponderal é um sinal de alerta importante. O tratamento consiste na exclusão rigorosa das proteínas do leite de vaca da dieta do lactente e, se aplicável, da mãe. Fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos são indicadas para lactentes não amamentados. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças desenvolvendo tolerância até os 5 anos de idade. Residentes devem estar aptos a diagnosticar, diferenciar de outras condições como a intolerância à lactose, e orientar as famílias sobre o manejo dietético e o acompanhamento adequado.
Os principais sinais e sintomas incluem manifestações gastrointestinais como vômitos, diarreia com ou sem sangue, cólicas intensas, recusa alimentar e baixo ganho ponderal. Manifestações cutâneas como dermatite atópica (eritema descamativo) e respiratórias (chiado, rinite) também são comuns.
A APLV é uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, podendo envolver IgE ou não-IgE, com sintomas que afetam múltiplos sistemas. A intolerância à lactose é uma deficiência da enzima lactase, resultando em má digestão da lactose, com sintomas predominantemente gastrointestinais como diarreia aquosa e flatulência, sem envolvimento imunológico ou sangramento.
A conduta inicial é a exclusão completa das proteínas do leite de vaca da dieta do lactente e, se amamentado, da dieta da mãe. Em casos de fórmula, deve-se utilizar fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos. A melhora clínica após a exclusão e a recorrência dos sintomas após a reintrodução confirmam o diagnóstico.
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