APLV IgE Mediada: Diagnóstico e Tratamento com Fórmulas

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Lactente, 5 meses de idade, no pronto-socorro, com história de hiperemia em face (região perioral) e tosse, logo após ingerir mamadeira com fórmula láctea polimérica de 1º semestre. Mãe relata aleitamento misto desde o 3º mês de vida. Após ser medicada, a criança evoluiu bem e, ao exame clínico, verificou-se peso e comprimento adequados para a idade, sem outras alterações. Diante do quadro, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico é de alactasia congênita. O tratamento deve incluir o uso de fórmulas isentas de lactose.
  2. B) O diagnóstico é de alergia à proteína do leite de vaca (APLV) não mediada por IgE. A opção terapêutica é o uso de fórmula parcialmente hidrolisada.
  3. C) O diagnóstico é de alergia à proteína do leite de vaca (APLV) - IgE mediada. A conduta terapêutica é o uso de fórmula de aminoácidos.
  4. D) O diagnóstico é de deficiência a lactose não genética. O tratamento deve ser com o uso de fórmula de aminoácidos.

Pérola Clínica

Reação imediata (hiperemia perioral, tosse) após fórmula láctea em lactente → APLV IgE mediada = Fórmula de aminoácidos.

Resumo-Chave

A ocorrência de sintomas agudos e imediatos, como hiperemia perioral e tosse, após a ingestão de fórmula láctea, é altamente sugestiva de uma reação alérgica IgE mediada à proteína do leite de vaca (APLV). Nesses casos, a conduta terapêutica mais segura e eficaz é a substituição da fórmula por uma de aminoácidos, que é hipoalergênica.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. Ela ocorre quando o sistema imunológico reage de forma adversa às proteínas do leite de vaca. A APLV pode ser classificada em IgE mediada, não IgE mediada ou mista, com diferentes manifestações clínicas e abordagens terapêuticas. A APLV IgE mediada caracteriza-se por reações de hipersensibilidade imediata, que ocorrem minutos a poucas horas após a ingestão da proteína. Os sintomas podem variar de leves (urticária, angioedema, hiperemia perioral, tosse) a graves (anafilaxia, broncoespasmo, hipotensão). O diagnóstico é clínico, mas pode ser auxiliado por testes cutâneos de puntura ou dosagem de IgE específica. O tratamento da APLV IgE mediada consiste na exclusão completa da proteína do leite de vaca da dieta. Para lactentes em aleitamento misto ou exclusivo de fórmula, a substituição por uma fórmula de aminoácidos é a conduta mais segura e eficaz, especialmente em casos de reações imediatas e graves. Fórmulas extensamente hidrolisadas podem ser usadas em casos mais leves ou não IgE mediados, mas as parcialmente hidrolisadas não são indicadas para o tratamento da APLV.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos de APLV IgE mediada em lactentes?

Os sintomas de APLV IgE mediada são de início rápido (minutos a poucas horas) após a ingestão de proteína do leite de vaca e podem incluir reações cutâneas (urticária, angioedema, hiperemia perioral), respiratórias (tosse, sibilância, dispneia) e gastrointestinais (vômitos). Em casos graves, pode ocorrer anafilaxia.

Quando é indicada a fórmula de aminoácidos no tratamento da APLV?

A fórmula de aminoácidos é indicada para casos de APLV IgE mediada com reações graves (anafilaxia), APLV não IgE mediada que não responde a fórmulas extensamente hidrolisadas, ou quando há múltiplas alergias alimentares. É a opção mais hipoalergênica disponível.

Como diferenciar APLV IgE mediada de não IgE mediada?

A APLV IgE mediada se manifesta com reações imediatas e agudas, envolvendo IgE. A APLV não IgE mediada apresenta sintomas mais tardios (horas a dias), geralmente gastrointestinais (diarreia, vômitos, sangramento nas fezes) e cutâneos (dermatite atópica), sem envolvimento de IgE.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo