APLV em Lactentes: Diagnóstico e Dieta Adequada

UEM - Hospital Universitário de Maringá (PR) — Prova 2020

Enunciado

Um lactente de 4 meses vem apresentando evacuações mais amolecidas de até 10 vezes ao dia há cerca de 1 mês. Neste último mês também apresentou alguns episódios de evacuação associado a estrias de sangue. Apresenta cólicas e irritabilidade. Nega febre, vômitos e outros sintomas. Ganho de peso nos últimos 30 dias de 100g. Recebeu aleitamento materno até 3 meses e depois iniciou com fórmula apropriada para idade. Considerando a história clínica, assinale o diagnóstico mais provável tipo de dieta a ser realizada.

Alternativas

  1. A) Alergia às proteínas do leite de vaca - fórmula extensamente hidrolisada
  2. B) Alergia às proteínas do leite de vaca - fórmula de soja
  3. C) Intolerância à lactose - fórmula sem lactose
  4. D) Intolerância à lactose - fórmula de soja
  5. E) Intolerância ao glúten - exclusão do glúten da dieta

Pérola Clínica

Lactente com diarreia crônica, estrias de sangue, cólicas, irritabilidade e baixo ganho de peso após fórmula → APLV → fórmula extensamente hidrolisada.

Resumo-Chave

A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, manifestando-se com sintomas gastrointestinais (diarreia, sangue nas fezes, cólicas), cutâneos ou respiratórios. O diagnóstico é clínico e a conduta inicial é a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta, utilizando fórmulas extensamente hidrolisadas.

Contexto Educacional

A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das condições alérgicas mais prevalentes na pediatria, afetando lactentes e crianças pequenas. É uma reação imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, que pode se manifestar de diversas formas, desde reações imediatas e graves (anafilaxia) até reações tardias, predominantemente gastrointestinais. O quadro clínico apresentado pelo lactente, com diarreia amolecida persistente, estrias de sangue nas fezes, cólicas, irritabilidade e ganho de peso inadequado após a introdução de fórmula infantil, é altamente sugestivo de APLV, particularmente a forma não-IgE mediada, como a proctocolite alérgica. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na exclusão e reintrodução da proteína do leite de vaca. O tratamento consiste na exclusão rigorosa da proteína do leite de vaca da dieta. Para lactentes que não são amamentados exclusivamente, a escolha da fórmula é crucial. As fórmulas extensamente hidrolisadas são a primeira linha de tratamento, pois suas proteínas são quebradas em peptídeos pequenos, diminuindo significativamente sua alergenicidade. Fórmulas de aminoácidos são reservadas para casos mais graves ou refratários. A fórmula de soja é uma alternativa, mas deve ser usada com cautela devido ao risco de reatividade cruzada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas gastrointestinais da APLV em lactentes?

Os sintomas gastrointestinais incluem diarreia crônica, presença de estrias de sangue ou muco nas fezes, vômitos, cólicas intensas, irritabilidade e, em casos mais graves, baixo ganho de peso ou perda ponderal.

Por que a fórmula de soja não é a primeira escolha para APLV?

A fórmula de soja não é a primeira escolha porque cerca de 10-40% dos lactentes com APLV também podem desenvolver alergia à proteína da soja devido à reatividade cruzada, tornando-a uma opção de segunda linha.

Qual a diferença entre fórmula extensamente hidrolisada e fórmula de aminoácidos?

Fórmulas extensamente hidrolisadas contêm proteínas do leite quebradas em peptídeos pequenos, o que reduz sua alergenicidade. Fórmulas de aminoácidos são compostas por aminoácidos livres, sendo totalmente não alergênicas e indicadas para casos de APLV grave ou refratária às fórmulas hidrolisadas.

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