APLV não IgE Mediada: Diagnóstico e Conduta no Lactente

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Lactente, 2 meses de vida, sexo masculino, foi levado ao pronto atendimento pelos pais por apresentar evacuações frequentes, com fezes líquidas e, ocasionalmente, com a presença de sangue e muco há cerca de duas semanas, além de desconforto abdominal manifestado por episódios de choro intenso e agitação, especialmente após as mamadas. Está em uso de fórmula láctea convencional. Os pais negaram alterações cutâneas ou respiratórias. Peso atual do paciente está abaixo do esperado para a idade. Com base nessa situação hipotética, o diagnóstico e a conduta são:

Alternativas

  1. A) Alergia à proteína do leite de vaca IgE mediada; prescrever fórmula de aminoácidos.
  2. B) Alergia à proteína do leite de vaca IgE mediada; prescrever fórmula extensivamente hidrolisada.
  3. C) Alergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada; prescrever fórmula de aminoácidos.
  4. D) Alergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada; prescrever fórmula extensivamente hidrolisada. E) Intolerância à lactose; prescrever fórmula extensivamente hidrolisada.

Pérola Clínica

APLV não IgE (sangue/muco nas fezes) → 1ª linha: Fórmula Extensivamente Hidrolisada.

Resumo-Chave

A proctocolite alérgica é a forma não IgE mediada mais comum de APLV, manifestando-se com fezes sanguinolentas em lactentes saudáveis, tratada com dieta de exclusão.

Contexto Educacional

A APLV é a alergia alimentar mais comum na infância. A forma não IgE mediada frequentemente se apresenta como proctocolite alérgica eosinofílica induzida por proteína alimentar (FPIAP), caracterizada por sangramento retal em lactentes que parecem clinicamente bem. O padrão-ouro para o diagnóstico é a dieta de exclusão seguida pelo Teste de Provocação Oral (TPO). Em lactentes amamentados, a mãe deve realizar dieta de exclusão de leite e derivados. Em usuários de fórmula, a substituição por FEH é a conduta padrão, visando a resolução dos sintomas e a recuperação do ganho ponderal.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre APLV IgE e não IgE mediada?

A APLV IgE mediada apresenta sintomas de início rápido (minutos a 2 horas após a ingestão), como urticária, angioedema, sibilância ou anafilaxia, e pode ser detectada por testes cutâneos (Prick test) ou IgE específica no sangue. Já a APLV não IgE mediada, como a proctocolite alérgica, envolve mecanismos celulares. Os sintomas são tardios (horas ou dias depois), predominantemente gastrointestinais (sangue e muco nas fezes, diarreia, vômitos), e os testes alérgicos convencionais costumam ser negativos, sendo o diagnóstico baseado na clínica e no teste de exclusão e provocação.

Por que usar fórmula extensivamente hidrolisada (FEH) primeiro?

As fórmulas extensivamente hidrolisadas (FEH) são a primeira linha de tratamento para a maioria dos lactentes com APLV (IgE ou não IgE mediada) que não estão em aleitamento materno exclusivo. Nessas fórmulas, as proteínas do leite de vaca são quebradas em pequenos peptídeos que não são reconhecidos pelo sistema imune na maioria dos casos (eficácia > 90%). As fórmulas de aminoácidos (elementares) são reservadas para casos graves (anafilaxia, falha de crescimento severa) ou para aqueles que não toleram a FEH, devido ao seu custo significativamente mais elevado.

APLV é o mesmo que intolerância à lactose?

Não. A APLV é uma reação imunológica às proteínas do leite (caseína, lactoalbumina), enquanto a intolerância à lactose é uma dificuldade digestiva em quebrar o açúcar do leite (lactose) por deficiência da enzima lactase. A intolerância à lactose é extremamente rara em lactentes e causa sintomas como distensão abdominal, gases e diarreia ácida, mas nunca causa sangue nas fezes ou reações alérgicas sistêmicas. O tratamento da APLV exige a exclusão da proteína, enquanto na intolerância basta a retirada da lactose ou uso da enzima.

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