UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
RN, 28 dias, em aleitamento artificial, há 3 dias, está com uma discreta irritabilidade e presença de fezes com muco e raias de sangue. A mãe nega febre, vômitos e sintomas respiratórios. Exame físico: normal. A conduta mais adequada é:
RN com fezes muco-sanguinolentas e irritabilidade em aleitamento artificial → suspeitar APLV.
O quadro de um recém-nascido em aleitamento artificial com fezes muco-sanguinolentas e irritabilidade, sem outros sintomas infecciosos, é altamente sugestivo de proctocolite alérgica induzida por proteína do leite de vaca (APLV). A conduta inicial é a exclusão da proteína da dieta.
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. É uma resposta imunológica adversa às proteínas do leite de vaca, podendo manifestar-se de formas variadas, desde reações imediatas mediadas por IgE até reações tardias não mediadas por IgE, como a proctocolite alérgica. A fisiopatologia envolve uma resposta imune anormal às proteínas do leite, como caseína e proteínas do soro. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e nos sintomas, e confirmado pela prova de exclusão e reintrodução. A presença de fezes com muco e raias de sangue em um lactente sem febre ou outros sinais de infecção é altamente sugestiva de proctocolite alérgica por APLV. O tratamento consiste na exclusão completa da proteína do leite de vaca da dieta. Para lactentes em aleitamento artificial, são indicadas fórmulas extensamente hidrolisadas ou, em casos mais graves, fórmulas de aminoácidos. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria das crianças desenvolvendo tolerância até os 3-5 anos de idade, mas o acompanhamento nutricional e médico é fundamental.
Os sintomas da APLV em lactentes podem ser gastrointestinais (vômitos, diarreia, fezes com muco e sangue, cólicas, refluxo), cutâneos (urticária, dermatite atópica) ou respiratórios (sibilância, rinite). A proctocolite alérgica é uma forma comum, manifestada por fezes muco-sanguinolentas.
A conduta inicial para um recém-nascido com suspeita de APLV, especialmente na forma de proctocolite alérgica, é a exclusão da proteína do leite de vaca da dieta. Se em aleitamento artificial, deve-se oferecer uma fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos.
O diagnóstico definitivo da APLV é feito por meio de uma prova de exclusão e reintrodução. Após a melhora dos sintomas com a dieta de exclusão, a reintrodução da proteína do leite de vaca sob supervisão médica e o reaparecimento dos sintomas confirmam o diagnóstico.
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