IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Menino de 4 anos apresenta reação anafilática após ingestão de bolo contendo castanhas. Na investigação diagnóstica da alergia a nozes, assinale a alternativa correta em relação aos componentes moleculares:
Sensibilização a proteínas de reserva (ex: Jug r 1) → ↑ risco de anafilaxia e persistência da alergia.
O diagnóstico molecular (CRD) identifica proteínas específicas; proteínas de reserva (2S albuminas) como Jug r 1 são marcadores de gravidade e reatividade cruzada.
O diagnóstico molecular (Component-Resolved Diagnosis - CRD) revolucionou a alergologia ao permitir distinguir entre sensibilização genuína (primária) e reatividade cruzada. Em crianças com anafilaxia a frutos secos, identificar o componente exato é crucial. Proteínas de reserva (2S albuminas, 7S globulinas, 11S globulinas) são os principais vilões, pois mantêm sua estrutura alergênica mesmo após o cozimento. O Jug r 1 (noz) e o Cor a 14 (avelã) são exemplos clássicos de 2S albuminas que sinalizam perigo, enquanto profilinas e proteínas PR-10 sugerem reações mais leves ou dependentes de cofatores.
O Jug r 1 é uma proteína de reserva (2S albumina) da noz (Juglans regia). Na alergia molecular, a presença de IgE específica para este componente é um marcador de alta especificidade para alergia primária e está fortemente associada a um risco elevado de reações alérgicas sistêmicas graves, incluindo anafilaxia. Além disso, por ser uma proteína termoestável e resistente à digestão proteolítica, a sensibilização ao Jug r 1 indica que o paciente dificilmente tolerará o alimento mesmo após processamento térmico, e a alergia tende a ser persistente ao longo da vida.
As proteínas de transferência de lipídios (LTP), como o Jug r 3, são proteínas de defesa das plantas. Elas também são termoestáveis e resistentes à digestão, podendo causar reações graves. No entanto, a positividade isolada para LTP pode estar associada à síndrome de alergia relacionada ao pólen ou reatividade cruzada com outros alimentos vegetais (como pêssego - Pru p 3). Embora confiram risco, as proteínas de reserva (2S albuminas) são geralmente consideradas marcadores mais potentes de gravidade clínica primária em frutos secos.
As profilinas, como o Cor a 8 da avelã, são proteínas pan-alergênicas presentes em muitos pólens e alimentos vegetais. Elas são termolábeis e sensíveis à digestão gástrica. Clinicamente, a sensibilização isolada a profilinas costuma causar apenas a Síndrome de Alergia Oral (prurido e edema leve em lábios e orofaringe) e raramente evolui para anafilaxia. Identificar a profilina como único componente positivo ajuda o clínico a tranquilizar o paciente sobre o baixo risco de reações sistêmicas graves.
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