AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
A alergia alimentar é uma doença de aparente prevalência mundial, caracterizada por reação adversa imunológica reprodutível a determinado alimento. Sobre a alergia alimentar, assinale a alternativa correta:
Introdução tardia de alérgenos ↑ risco de alergia; TPO = padrão-ouro.
A hipótese da higiene e estudos recentes (como o LEAP) mostram que a introdução precoce de alimentos alergênicos (entre 4-6 meses) induz tolerância imunológica, reduzindo a incidência de alergias.
A alergia alimentar é uma resposta imune adversa a proteínas específicas. A prevalência tem aumentado em países desenvolvidos, possivelmente devido a mudanças no microbioma e estilo de vida. O diagnóstico correto é vital para evitar restrições nutricionais que prejudiquem o crescimento infantil. As reações podem ser mediadas por IgE (rápidas), não mediadas por IgE (tardias, como FPIES e proctocolite) ou mistas (esofagite eosinofílica). O manejo baseia-se na exclusão do alérgeno e educação da família para reconhecimento de reações graves. A reavaliação periódica é necessária, pois muitas crianças desenvolvem tolerância natural ao leite e ovo ao longo dos anos.
Estudos como o LEAP demonstraram que existe uma 'janela de oportunidade' imunológica. Quando o sistema imune intestinal é exposto a proteínas alimentares precocemente (idealmente entre 4 e 6 meses, enquanto mantém o aleitamento materno), ele tende a desenvolver tolerância (células T reguladoras). O atraso nessa exposição pode levar à sensibilização por via cutânea ou outras vias, aumentando a chance de o sistema imune reagir de forma hipersensível quando o alimento for finalmente ingerido.
A sensibilização é a presença de anticorpos IgE específicos contra um alimento, detectados por exames de sangue ou prick test, sem que o paciente apresente sintomas ao comer. A alergia alimentar requer a presença de sensibilização associada a sintomas clínicos reprodutíveis (urticária, angioedema, anafilaxia) após a ingestão. Por isso, exames laboratoriais positivos sem história clínica compatível não fecham diagnóstico e podem levar a dietas restritivas desnecessárias.
A Síndrome de Enterocolite Induzida por Proteína Alimentar (FPIES) é uma forma de alergia alimentar não mediada por IgE. Diferente da anafilaxia clássica, os sintomas são tardios (2 a 4 horas após a ingestão) e predominantemente gastrointestinais, como vômitos profusos, diarreia e palidez, podendo levar à desidratação grave e choque. Como não envolve IgE, os testes cutâneos e de sangue costumam ser negativos, tornando o diagnóstico puramente clínico ou baseado em teste de provocação oral.
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