MedEvo Simulado — Prova 2026
Um lactente de 4 meses de vida, nascido a termo e em aleitamento materno exclusivo, comparece à consulta de rotina com o pediatra. A mãe relata preocupação excessiva, pois possui rinite alérgica e o pai da criança apresenta asma e alergia alimentar grave a frutos do mar. Ela questiona quais medidas deve adotar para prevenir que seu filho desenvolva quadros semelhantes, perguntando especificamente sobre sua própria alimentação e sobre o momento de oferecer novos alimentos ao bebê. Com base nos conhecimentos atuais sobre a prevenção de alergias alimentares e o papel do aleitamento materno, assinale a alternativa correta:
Amamentação exclusiva até 6 meses; sem restrição dietética materna para prevenir alergias no bebê.
O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses é a principal recomendação; dietas de exclusão para a mãe ou atraso na introdução de alérgenos não previnem atopia.
A prevenção de alergias alimentares passou por uma mudança de paradigma na última década. Antigamente, recomendava-se o adiamento da introdução de alérgenos, mas estudos como o LEAP (Learning Early About Peanut Allergy) demonstraram que a exposição precoce e regular a alimentos alérgenos, após os 6 meses de vida, é mais eficaz na promoção da tolerância imunológica. O aleitamento materno exclusivo até o sexto mês continua sendo a intervenção mais importante, fornecendo anticorpos (IgA secretora) e fatores imunomoduladores que auxiliam na maturação da barreira intestinal. Para crianças de alto risco (pais ou irmãos com asma, rinite ou dermatite), a estratégia foca em manter a amamentação e introduzir a alimentação complementar de forma variada a partir dos 6 meses. É fundamental desmistificar a necessidade de dietas restritivas para a nutriz, pois a passagem de pequenas quantidades de antígenos alimentares pelo leite materno pode, na verdade, auxiliar no treinamento do sistema imune do bebê. A introdução tardia (após 1 ou 2 anos) está associada a um maior risco de sensibilização alérgica.
Não. De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e órgãos internacionais, não se recomenda que gestantes ou nutrizes realizem dietas restritivas de alimentos potencialmente alérgenos (como leite de vaca, ovo, amendoim ou peixe) com o objetivo de prevenir o desenvolvimento de alergias alimentares ou atopia no lactente. A dieta materna deve ser equilibrada e variada. A exclusão só é indicada se a própria mãe possuir alergia diagnosticada ou se o bebê já apresentar sintomas de alergia confirmada via leite materno, o que é raro.
A recomendação atual é iniciar a alimentação complementar aos 6 meses de vida, mantendo o aleitamento materno. Não se deve retardar a introdução de alimentos potencialmente alérgenos (ovo, peixe, glúten, amendoim) além dos 6 meses, mesmo em crianças com forte histórico familiar de atopia. Evidências sugerem que a introdução precoce (entre os 4 e 11 meses) dentro da 'janela imunológica' favorece a indução de tolerância oral, reduzindo o risco de alergias futuras, ao contrário do que se acreditava antigamente.
Não há evidências de que fórmulas à base de soja previnam o desenvolvimento de doenças atópicas. Fórmulas extensamente hidrolisadas podem ser consideradas em lactentes de alto risco que não podem ser amamentados, mas o padrão-ouro absoluto para prevenção é o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. O uso de fórmulas de soja é contraindicado para menores de 6 meses e não possui papel na indução de tolerância imunológica preventiva.
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