UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida. Portanto, todas as mães devem ser estimuladas a amamentar os seus bebês, mas não devem ser coagidas a fazê-lo. Sobre isso, assinale a opção INCORRETA.
Leite materno tem baixo teor de ferro, mas alta biodisponibilidade; term-infants não precisam de suplementação nos primeiros 4-6 meses devido a reservas.
A opção incorreta é que o conteúdo de ferro do leite humano é suficiente independentemente de sua absorção. Na verdade, o leite materno tem um teor de ferro relativamente baixo, mas sua alta biodisponibilidade e as reservas de ferro do recém-nascido a termo geralmente garantem que a suplementação não seja necessária nos primeiros 4 a 6 meses de vida. A absorção é crucial para a suficiência.
O aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida é a principal recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde, sendo um pilar fundamental para a saúde infantil. O leite humano é um alimento completo, adaptado às necessidades do lactente, e oferece inúmeros benefícios nutricionais e imunológicos. Contém anticorpos, como a imunoglobulina A secretora, que protegem o bebê contra infecções bacterianas e virais, além de fatores de crescimento e enzimas digestivas. Contudo, é importante reconhecer que, apesar de sua riqueza, o leite materno não supre todas as necessidades de alguns micronutrientes, como a vitamina D e o flúor, que geralmente requerem suplementação. Em relação ao ferro, embora o teor no leite materno seja relativamente baixo, sua biodisponibilidade é excepcionalmente alta, e os recém-nascidos a termo possuem reservas de ferro suficientes para os primeiros quatro a seis meses de vida, tornando a suplementação desnecessária nesse período, a menos que haja indicação específica. Para residentes, é crucial compreender as recomendações e contraindicações do aleitamento materno, incluindo situações especiais como a infecção materna por HIV (onde a amamentação pode ser recomendada com terapia antirretroviral) e a presença de lesões ativas de herpes simples nos mamilos (que exigem precauções para evitar a transmissão). O conhecimento aprofundado sobre a composição do leite materno e as diretrizes de suplementação é essencial para orientar adequadamente as mães e promover a saúde dos lactentes.
O leite materno, mesmo em mães com dieta equilibrada, não supre totalmente as necessidades de vitamina D e flúor. A suplementação de vitamina D é recomendada para todos os lactentes desde os primeiros dias de vida, e a de flúor pode ser considerada a partir dos 6 meses, dependendo da concentração na água de consumo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que mães HIV positivas amamentem exclusivamente por seis meses, e continuem amamentando por até 24 meses ou mais, desde que a mãe e/ou o bebê estejam em terapia antirretroviral e haja acompanhamento médico rigoroso, especialmente em locais onde o risco de morbimortalidade por não amamentar é maior que o risco de transmissão do HIV.
O leite humano contém uma vasta gama de fatores imunológicos, incluindo anticorpos (principalmente IgA secretora), leucócitos, lactoferrina, lisozima e oligossacarídeos. A IgA secretora, em particular, forma uma barreira protetora na mucosa intestinal, impedindo a adesão e proliferação de microrganismos patogênicos.
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