SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Mãe, 16 anos de idade, comparece a UBS para atendimento, levando o filho de 1 mês de vida, nascido de parto natural, com 39 semanas, pesando 3,125Kg e medindo 51cm. Informa que o bebê apresenta, continuamente, fezes moles, várias vezes ao dia, sempre após a mamada. Está em aleitamento materno exclusivo. Relata que mora com a mãe e as irmãs, que não estuda nem trabalha, que o bebê chora muito à noite, que o leite, às vezes, está avermelhado e que doi muito ao amamentar. Na avaliação de hoje, o bebê pesou 3,675Kg e mediu 53cm. Está ativo, em bom estado geral, eupneico, afebril e corado. Enchimento capilar de 3 segundos. Exame segmentar mostra timpanismo abdominal, sem outra alteração. Indique a conduta quanto à alimentação da criança.
Bebê em aleitamento exclusivo com bom ganho ponderal e fezes moles frequentes → normalidade; dor e leite avermelhado → investigar fissura mamilar.
O bebê apresenta bom desenvolvimento pondero-estatural e os padrões de fezes são normais para um lactente em aleitamento materno exclusivo. A dor e o leite avermelhado sugerem fissura mamilar, que deve ser abordada com correção da pega e posicionamento, sem interrupção da amamentação.
A avaliação de um lactente em aleitamento materno exclusivo requer uma compreensão profunda dos padrões fisiológicos normais e das queixas comuns que podem surgir. É fundamental tranquilizar a mãe e reforçar a importância do aleitamento, especialmente quando o bebê apresenta bom desenvolvimento pondero-estatural, como no caso descrito. Queixas como fezes moles e frequentes são típicas de bebês amamentados, devido à composição do leite materno, que é facilmente digerível e tem efeito laxativo. O choro noturno é uma fase comum do desenvolvimento do recém-nascido, muitas vezes associado a cólicas ou imaturidade do sistema nervoso. A dor ao amamentar e a presença de leite avermelhado são queixas maternas que demandam atenção. Geralmente, indicam uma pega incorreta do bebê na mama, que pode levar a fissuras mamilares. O sangramento, embora assustador para a mãe, é inofensivo para o bebê e não contraindica a amamentação. A correção da pega e do posicionamento é a intervenção mais eficaz. Outras causas de dor podem incluir ingurgitamento mamário, mastite ou candidíase mamária, que devem ser investigadas se a correção da pega não resolver o problema. A conduta, portanto, deve focar na manutenção do aleitamento materno exclusivo, com orientações detalhadas sobre a técnica de amamentação para corrigir a pega e aliviar a dor materna. É essencial oferecer suporte emocional à mãe, especialmente uma adolescente, e explicar a normalidade dos padrões de sono e evacuação do bebê. O acompanhamento do ganho de peso e do estado geral do lactente é crucial para confirmar o sucesso das intervenções e a saúde do bebê. Não há indicação para introdução de fórmulas ou qualquer alteração na alimentação.
Sinais de bom aleitamento incluem bom ganho de peso (mínimo de 20-30g/dia), 6-8 fraldas molhadas por dia, 3-4 evacuações de fezes amolecidas/pastosas por dia, e o bebê ativo e satisfeito após as mamadas. O bebê deste caso apresenta bom ganho de peso e está ativo.
A dor ao amamentar e o leite avermelhado frequentemente indicam fissura mamilar, geralmente causada por pega incorreta. A conduta é corrigir a pega e o posicionamento do bebê, orientar sobre a higiene e hidratação do mamilo, e garantir que a amamentação continue, pois o sangramento é inofensivo para o bebê.
Sim, é absolutamente normal. Bebês em aleitamento materno exclusivo podem evacuar fezes moles, amareladas e até explosivas várias vezes ao dia, inclusive após cada mamada. Isso não é diarreia e reflete a alta digestibilidade do leite materno.
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