Dengue e Amamentação: Mitos e Recomendações Atuais

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2018

Enunciado

Tendo como referência as diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), da Política Nacional de Promoção, Proteção e Apoio ao Aleitamento Materno e da Rede Cegonha, julgue o item seguinte. Mãe que tenha contraído dengue e que apresente quadro de diarreia e vômito deverá interromper a amamentação, por causa do distúrbio metabólico habitualmente presente e do risco de transmissão vertical. 

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Dengue materna NÃO contraindica amamentação; risco de transmissão vertical via leite materno é desprezível.

Resumo-Chave

A amamentação é fortemente recomendada mesmo em casos de dengue materna, pois o risco de transmissão vertical do vírus via leite materno é considerado insignificante. Os benefícios do aleitamento superam amplamente qualquer risco teórico, e a interrupção pode prejudicar a saúde do lactente.

Contexto Educacional

A Política Nacional de Promoção, Proteção e Apoio ao Aleitamento Materno, alinhada com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), enfatiza a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado até os dois anos ou mais. A dengue, uma arbovirose endêmica no Brasil, é frequentemente um motivo de preocupação para mães lactantes. No entanto, a presença de dengue na mãe, mesmo com sintomas como diarreia e vômito, não constitui uma contraindicação para a amamentação. A transmissão vertical da dengue, ou seja, a passagem do vírus da mãe para o filho, pode ocorrer durante a gestação ou no parto, mas a transmissão via leite materno não é considerada uma via significativa. Pelo contrário, o leite materno contém anticorpos e fatores imunológicos que podem proteger o lactente contra infecções, incluindo a própria dengue. Interromper a amamentação sem uma justificativa médica sólida priva o bebê de nutrientes essenciais e proteção imunológica, além de impactar negativamente o vínculo mãe-bebê. É crucial que profissionais de saúde orientem corretamente as mães sobre a segurança da amamentação em casos de dengue, reforçando que os benefícios do aleitamento superam os riscos teóricos. A mãe deve ser encorajada a manter a hidratação e buscar tratamento sintomático para a dengue, enquanto continua amamentando. A decisão de interromper a amamentação deve ser baseada em contraindicações absolutas bem estabelecidas, e não em mitos ou informações incorretas.

Perguntas Frequentes

Quais são as contraindicações absolutas para a amamentação?

As contraindicações absolutas incluem infecção materna por HIV (em países com acesso a fórmulas), HTLV-1 e HTLV-2, uso de drogas ilícitas, quimioterapia e radioterapia. Infecções como dengue, gripe e COVID-19 geralmente não são contraindicações.

A dengue pode ser transmitida verticalmente pelo leite materno?

Não, o risco de transmissão vertical da dengue via leite materno é considerado desprezível. Os anticorpos maternos presentes no leite, inclusive contra a dengue, oferecem proteção ao bebê.

Quais os benefícios do aleitamento materno para o bebê e a mãe?

Para o bebê, o aleitamento materno oferece nutrição completa, proteção imunológica, desenvolvimento cognitivo e redução do risco de doenças crônicas. Para a mãe, auxilia na involução uterina, reduz o risco de câncer de mama e ovário, e fortalece o vínculo.

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