UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022
Leia o caso clínico a seguir.Joana, de 28 anos, gestante, procurou em agosto a maternidade pública, com relato de “dores na barriga”. Tratava-se de G2P1A0, com 39 semanas e seis dias de gestação pela data da última menstruação. No decorrer da triagem, ao inferir sobre sintomas gerais, Joana relatou febre, dores de cabeça, cansaço e tosse seca há três dias e informou que o marido estava com os mesmos sintomas. O médico obstetra avaliou e solicitou internação devido a paciente estar em franco trabalho de parto. Entre outros exames, solicitou teste rápido para detecção de coronavírus considerando o momento pandêmico. O teste veio reagente e detectou Coronavírus. De acordo com o documento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): “O Aleitamento Materno nos Tempos de Covid-19 – recomendações na maternidade e após a alta (maio/2020)” e tendo em vista a Covid-19 apresentada por Joana, orienta-se:
COVID-19 em gestante → adiar amamentação e contato pele a pele pós-higiene rigorosa da mãe e ambiente para RN.
Em casos de COVID-19 confirmada na gestante, as recomendações da SBP (maio/2020) priorizavam a redução do risco de transmissão vertical e horizontal. Isso incluía adiar o contato pele a pele e o início da amamentação até que medidas de higiene e prevenção fossem rigorosamente implementadas para proteger o recém-nascido.
A pandemia de COVID-19 trouxe desafios significativos para a prática obstétrica e pediátrica, especialmente no que tange ao manejo de gestantes infectadas e seus recém-nascidos. As recomendações iniciais de órgãos como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) visavam equilibrar os benefícios do aleitamento materno e do contato pele a pele com a necessidade de prevenir a transmissão do SARS-CoV-2. A importância de tais diretrizes reside na proteção do neonato, um grupo vulnerável a infecções respiratórias. A fisiopatologia da COVID-19 em gestantes e recém-nascidos ainda está sendo compreendida, mas a transmissão vertical (intrauterina) é rara, sendo a transmissão horizontal (pós-natal) a principal preocupação. As medidas de higiene rigorosa, uso de máscaras e distanciamento temporário são cruciais para mitigar esse risco. O diagnóstico precoce da infecção materna é fundamental para a tomada de decisões clínicas adequadas no momento do parto e pós-parto. O tratamento da COVID-19 em gestantes segue as diretrizes para a população geral, com adaptações. No contexto do aleitamento, as recomendações evoluíram ao longo da pandemia, mas a premissa de proteger o recém-nascido permanece central. A decisão de adiar a amamentação e o contato pele a pele, como na alternativa C, reflete uma abordagem cautelosa inicial para garantir a segurança do neonato antes de estabelecer um ambiente seguro para o aleitamento.
Em mães com COVID-19, a SBP recomendava adiar a amamentação e o contato pele a pele até que medidas rigorosas de higiene da parturiente e do ambiente fossem implementadas para minimizar o risco de transmissão ao recém-nascido.
O adiamento visa reduzir a exposição inicial do recém-nascido a gotículas respiratórias da mãe infectada, minimizando o risco de transmissão viral direta antes que as precauções de higiene e uso de EPIs sejam estabelecidas.
Sim, o leite materno contém anticorpos e outros fatores imunológicos que podem oferecer proteção. No entanto, o risco de transmissão viral direta durante a amamentação sem precauções adequadas ainda existe e deve ser gerenciado.
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