FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Recém-nascido (Rn) termo de parto cesárea por complicação materna (Descolamento prematuro de placenta), peso de nascimento de 3420g e APGAR 8/9. Mãe tem 36 anos G1P0A0, pré-natal sem outras intercorrências. O Rn está agora com 12 horas de vida e a mãe se queixa de baixa produção de leite materno. Ao exame físico, sem alterações. A melhor conduta frente a esse caso será:
RN 12h, mãe queixa baixa produção leite → Orientar pega e aguardar apojadura fisiológica.
A apojadura (descida do leite) ocorre geralmente entre 48-72 horas pós-parto. Nas primeiras horas, o colostro é produzido em pequena quantidade, mas é suficiente para o RN. A conduta inicial deve focar na orientação da pega correta e na frequência das mamadas para estimular a produção.
O aleitamento materno é fundamental para a saúde do recém-nascido e da mãe, sendo recomendado exclusivamente até os seis meses de vida. A queixa de "pouco leite" nas primeiras horas ou dias pós-parto é comum, especialmente em primíparas ou após cesariana, mas na maioria das vezes reflete a produção fisiológica de colostro, que é em pequena quantidade, porém altamente nutritivo e suficiente para o RN. É crucial que o profissional de saúde saiba diferenciar a percepção materna da real baixa produção. A fisiologia da lactação envolve a produção de colostro nos primeiros dias, seguida pela apojadura, que é a transição para o leite maduro, com aumento significativo do volume. Este processo é hormonal e estimulado pela sucção do bebê. O diagnóstico de baixa produção real só pode ser feito após a apojadura e avaliação da pega, frequência das mamadas e sinais de saciedade do RN. A avaliação da pega correta é o passo mais importante para garantir a transferência eficaz do leite e o estímulo adequado à mama. A conduta inicial deve ser sempre a orientação e o suporte à mãe, focando na técnica de amamentação, frequência das mamadas (livre demanda, mínimo 8-12 vezes/dia) e sinais de que o bebê está mamando bem. A complementação com fórmula infantil deve ser evitada ao máximo e, quando estritamente necessária por indicação médica (ex: hipoglicemia refratária, perda de peso excessiva), deve ser feita de forma controlada e com métodos que não interfiram na amamentação, como copinho ou translactação, sempre buscando reverter a necessidade o mais rápido possível.
A apojadura, ou "descida do leite", geralmente ocorre entre 48 e 72 horas após o parto, sendo crucial para o estabelecimento da lactação plena e aumento do volume de leite produzido.
Sinais de pega correta incluem boca do bebê bem aberta, lábios evertidos, queixo tocando a mama, aréola visível acima da boca e sucção rítmica com deglutição audível, garantindo a transferência eficaz do leite.
A introdução precoce de fórmula pode diminuir o estímulo à produção de leite materno, confundir o bebê com bicos artificiais e aumentar o risco de desmame precoce, comprometendo o aleitamento exclusivo.
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