Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023
Homem de 51 anos é avaliado para hipertensão resistente. Ele foi diagnosticado com hipertensão há 10 anos e sua pressão arterial tem sido cada vez mais difícil de controlar. Os medicamentos em uso atual são anlodipino, clortalidona e metoprolol. Ao exame físico, sua pressão arterial é de 164 x 82 mmHg; o restante do exame é normal. Testes laboratoriais para causas secundárias de hipertensão revelam aldosteronisrno primário. A tomografia computadorizada mostra uma massa adrenal esquerda de 1 cm. A amostragem da veia adrenal não revela elevações unilaterais nos níveis de aldosterona. Nesse momento, o tratamento mais adequado é
Aldosteronismo primário com amostragem venosa adrenal negativa → tratamento clínico com antagonista mineralocorticoide.
Em casos de aldosteronismo primário com massa adrenal unilateral, a amostragem da veia adrenal é crucial para confirmar a lateralização da produção de aldosterona. Se a amostragem não for unilateral, indica hiperplasia adrenal bilateral ou adenoma não funcional, tornando o tratamento clínico com espironolactona a melhor opção, em vez de cirurgia.
O aldosteronismo primário é uma causa comum de hipertensão secundária, caracterizada pela produção excessiva e autônoma de aldosterona pelas glândulas adrenais. Sua prevalência é subestimada, sendo responsável por até 10% dos casos de hipertensão e uma parcela significativa da hipertensão resistente. O reconhecimento precoce é crucial devido ao maior risco de eventos cardiovasculares e renais associados à exposição crônica a níveis elevados de aldosterona. O diagnóstico envolve a triagem com a relação aldosterona plasmática/atividade de renina plasmática (ARP) e testes confirmatórios. Uma vez confirmado, a localização da fonte de aldosterona é essencial. A tomografia computadorizada pode identificar adenomas adrenais, mas a amostragem da veia adrenal (AVA) é o padrão-ouro para diferenciar adenomas unilaterais de hiperplasia adrenal bilateral, pois a TC pode ser enganosa. A AVA guia a decisão terapêutica, indicando cirurgia para lateralização unilateral e tratamento clínico para hiperplasia bilateral ou ausência de lateralização. O tratamento do aldosteronismo primário depende da causa subjacente. Para adenomas unilaterais confirmados pela AVA, a adrenalectomia unilateral é curativa em muitos casos. Para hiperplasia adrenal bilateral ou quando a AVA não demonstra lateralização (como no caso da questão), o tratamento clínico com antagonistas do receptor mineralocorticoide, como a espironolactona ou eplerenona, é a conduta mais adequada. Esses medicamentos bloqueiam os efeitos da aldosterona, controlando a pressão arterial e corrigindo distúrbios eletrolíticos.
Deve-se suspeitar em hipertensão resistente, hipertensão grave, hipocalemia espontânea ou induzida por diuréticos, e em pacientes com incidentaloma adrenal.
A amostragem da veia adrenal é o padrão-ouro para diferenciar hiperplasia adrenal bilateral de adenoma unilateral produtor de aldosterona, guiando a decisão entre tratamento clínico e cirúrgico.
A espironolactona é um antagonista do receptor mineralocorticoide, eficaz no controle da pressão arterial e na correção da hipocalemia em pacientes com aldosteronismo primário, especialmente quando a lateralização não é confirmada cirurgicamente.
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