Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024
Um homem de 55 anos foi encaminhado ao ambulatório de Cirurgia devido a uma alteração abdominal identificada. Anteriormente, estava em boa saúde, mas começou a experienciar fraqueza muscular generalizada de forma insidiosa, ocasionalmente acompanhada por câimbras. Além disso, relata que sua urina, por vezes, apresenta uma coloração acastanhada. Os exames laboratoriais revelaram uma urina de tipo I com presença de hemossiderinúria e níveis de creatina fosfoquinase de 2.000 U/L (valor de referência: 22 – 334 U/L). Uma anomalia na imagem abdominal está evidente na seta e na cabeça de seta na figura abaixo. Considerando o quadro clínico hipotético apresentado, julgue o item.Mutações somáticas do trocador no gene do canal de potássio pode ser a causa de quase metade dos casos.
Hipocalemia grave no aldosteronismo primário → rabdomiólise → ↑ CPK e mioglobinúria.
Mutações somáticas no gene KCNJ5, que codifica um canal de potássio, estão presentes em cerca de 40% dos adenomas produtores de aldosterona, alterando a seletividade do canal e estimulando a síntese de aldosterona.
O aldosteronismo primário (AP) é a causa mais comum de hipertensão arterial secundária. A identificação de mutações somáticas revolucionou o entendimento da patogênese dos adenomas produtores de aldosterona (APA). O gene KCNJ5 é o mais frequentemente afetado, mas mutações em ATP1A1, ATP2B3 e CACNA1D também são descritas. Clinicamente, o caso destaca uma apresentação dramática: a rabdomiólise hipocalêmica. Embora a maioria dos pacientes com AP seja assintomática ou apresente apenas fraqueza leve, níveis criticamente baixos de potássio podem levar a câimbras, paralisia flácida e necrose muscular. O reconhecimento da imagem adrenal associado a esse distúrbio metabólico é crucial para o diagnóstico etiológico e tratamento cirúrgico (adrenalectomia) ou medicamentoso (antagonistas de mineralocorticoides).
A mutação no gene KCNJ5 altera a seletividade do canal de potássio GIRK4 nas células da zona glomerulosa da adrenal. Isso permite a entrada de sódio, resultando em despolarização da membrana celular. Essa despolarização ativa canais de cálcio voltagem-dependentes, aumentando o cálcio intracelular, o que sinaliza a transcrição da aldosterona sintase (CYP11B2) e a consequente produção excessiva e autônoma de aldosterona.
A aldosterona em excesso promove a excreção renal de potássio. A hipocalemia severa (geralmente < 2,5 mEq/L) compromete a homeostase da membrana das células musculares e reduz o fluxo sanguíneo muscular durante o exercício (vasodilatação dependente de potássio). Isso resulta em lesão do miócito, liberação de creatina fosfoquinase (CPK) e mioglobina, que pode ser detectada na urina como coloração acastanhada ou hemossiderinúria.
Os achados incluem hipocalemia persistente, alcalose metabólica, níveis elevados de aldosterona plasmática com atividade de renina plasmática suprimida (relação ARR elevada). No caso de rabdomiólise secundária, observa-se elevação acentuada de CPK, mioglobinúria (que pode positivar o teste de 'sangue' na fita urinária sem hemácias no sedimento) e, por vezes, insuficiência renal aguda.
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