UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020
Paciente masculino 55 anos, dá entrada na Emergência com hipotensão postural e desidratação. Apresenta-se emagrecido e com anemia. Familiares informam que há semanas vem apresentando plenitude pós-prandial e vômitos, que nos últimos dias se intensificaram. Referem também passado dispéptico e uso irregular de antiácidos. Qual o distúrbio ácido-básico mais comumente encontrado neste quadro clínico:
Vômitos intensos e persistentes → Perda de HCl e hipovolemia → Alcalose metabólica.
Vômitos prolongados levam à perda de ácido clorídrico (HCl) do estômago, causando alcalose metabólica. A hipovolemia e a hipocalemia associadas perpetuam o distúrbio, pois os rins tentam reter sódio e água, excretando H+ e K+ em troca, agravando a alcalose.
A alcalose metabólica é um distúrbio ácido-básico caracterizado por um aumento primário do bicarbonato sérico e um pH sanguíneo elevado. É um dos distúrbios mais comuns, especialmente em pacientes hospitalizados. Sua importância clínica reside na capacidade de causar arritmias cardíacas, disfunção neuromuscular e alterações no estado mental. A compreensão de sua fisiopatologia é crucial para o manejo adequado, especialmente em cenários de emergência. No caso de vômitos persistentes, a fisiopatologia da alcalose metabólica é multifatorial. A perda de ácido clorídrico (HCl) do estômago leva diretamente a um aumento do bicarbonato sérico. Além disso, a perda de volume e eletrólitos (principalmente potássio e cloreto) contribui para a manutenção da alcalose. A hipovolemia estimula o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que promove a reabsorção de sódio e água, mas também a excreção de H+ e K+ pelos rins, perpetuando a alcalose e a hipocalemia. A hipocloremia também impede a excreção renal de bicarbonato. O diagnóstico é feito pela análise dos gases arteriais (pH elevado, HCO3- elevado) e eletrólitos séricos. O tratamento da alcalose metabólica induzida por vômitos envolve a interrupção da perda gástrica (antieméticos, sonda nasogástrica se necessário) e a correção da hipovolemia e dos desequilíbrios eletrolíticos. A administração de soro fisiológico (NaCl 0,9%) é fundamental, pois repõe volume e cloreto, permitindo que os rins excretem o excesso de bicarbonato. A reposição de potássio é igualmente importante para corrigir a hipocalemia associada. Em casos graves e refratários, pode ser considerada a administração de inibidores da anidrase carbônica ou, raramente, diálise. O prognóstico geralmente é bom com tratamento adequado da causa subjacente e dos desequilíbrios.
As causas mais comuns incluem perda de ácido (vômitos, aspiração gástrica), excesso de mineralocorticoides (hiperaldosteronismo), uso de diuréticos (tiazídicos, de alça) e administração de álcalis (bicarbonato).
Os vômitos removem o ácido clorídrico (HCl) do estômago, resultando em perda de H+ e Cl-. Isso leva a um aumento compensatório de bicarbonato no plasma. A hipovolemia e a hipocalemia associadas também contribuem para a manutenção da alcalose.
O tratamento inicial foca na correção da causa subjacente (cessar os vômitos) e na reposição de volume e eletrólitos. A administração de soro fisiológico (NaCl 0,9%) corrige a hipovolemia e a deficiência de cloreto, permitindo a excreção renal de bicarbonato. A reposição de potássio também é crucial.
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