Vômitos Persistentes: Distúrbios Eletrolíticos e Manejo

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

A úlcera duodenal é uma doença com inúmeras causas. Os únicos requisitos são a secreção de ácido e pepsina em combinação com infecção por H. pylori ou a ingestão de AINEs. A inflamação aguda do duodeno pode levar à obstrução mecânica, com uma obstrução funcional da saída do conteúdo gástrico manifestado por retardo no esvaziamento gástrico, anorexia, náuseas e vômitos. Das alternativas a seguir, qual o distúrbio associado a esse quadro?

Alternativas

  1. A) Acidose metabólica hipoclorêmica hipernatrêmica.
  2. B) Acidose metabólica hiperclorêmica hipercalêmica.
  3. C) Alcalose metabólica hipoclorêmica hipocalêmica.
  4. D) Alcalose metabólica hiperclorêmica hiponatrêmica.
  5. E) Alcalose respiratória hipocarbônica hipercalêmica.

Pérola Clínica

Vômitos persistentes por obstrução gástrica → perda HCl e K+ → Alcalose metabólica hipoclorêmica hipocalêmica.

Resumo-Chave

Vômitos persistentes, como os causados por obstrução da saída gástrica devido a uma úlcera duodenal, levam à perda de ácido clorídrico (HCl) e potássio. Isso resulta em alcalose metabólica (pela perda de H+), hipocloremia (pela perda de Cl-) e hipocalemia (pela perda de K+ e compensação renal).

Contexto Educacional

A obstrução da saída gástrica, frequentemente causada por úlcera duodenal estenosante, é uma condição clínica que pode levar a vômitos persistentes e, consequentemente, a graves distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. A compreensão desses desequilíbrios é crucial para o manejo adequado do paciente. Os vômitos persistentes resultam na perda significativa de conteúdo gástrico, que é rico em ácido clorídrico (HCl) e potássio. A perda de H+ leva à alcalose metabólica, caracterizada por um pH sanguíneo elevado e um aumento na concentração de bicarbonato. A perda de Cl- contribui para a hipocloremia, que exacerba a alcalose metabólica ao prejudicar a capacidade renal de excretar bicarbonato. Além disso, a perda de potássio pelo vômito, juntamente com a excreção renal aumentada de K+ em resposta à alcalose e ao hiperaldosteronismo secundário à depleção de volume, leva à hipocalemia. Essa tríade de alcalose metabólica, hipocloremia e hipocalemia é um achado clássico e deve ser prontamente reconhecida e corrigida, geralmente com reposição de fluidos (soro fisiológico para repor Cl-) e potássio, antes de qualquer intervenção cirúrgica para a obstrução.

Perguntas Frequentes

Por que vômitos persistentes causam alcalose metabólica?

Vômitos persistentes levam à perda de ácido clorídrico (HCl) do estômago. A perda de íons hidrogênio (H+) resulta em um excesso relativo de bicarbonato no sangue, causando alcalose metabólica.

Qual a relação entre vômitos e hipocalemia?

A perda de potássio (K+) ocorre diretamente pelo vômito. Além disso, na alcalose metabólica, os rins tendem a excretar mais potássio em um esforço para conservar H+, e o volume intravascular depletado ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que também promove a excreção de K+.

Como a hipocloremia contribui para a alcalose metabólica nos vômitos?

A perda de cloreto (Cl-) pelo vômito impede que os rins excretem bicarbonato de forma eficaz, pois o cloreto é necessário para a reabsorção de sódio e a excreção de bicarbonato. A hipocloremia também estimula a reabsorção renal de bicarbonato.

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