UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Na Enfermaria Pediátrica, estão sendo avaliados os exames de um lactente de 10 meses, com comunicação interventricular ampla aguardando cirurgia corretiva, internado por broncopneumonia. Vinha recebendo ampicilina intravenosa (terceiro dia), oxigênio por cateter nasal (2 l/min), furosemida (0,5 mg/kg a cada 6 horas) e espironolactona (2 mg/kg/dia). Encontrava-se corado, alerta, com frequência respiratória de 40 mpm, pulsos amplos e frequência cardíaca de 160 bpm. A gasometria arterial revelou pH de 7,48, pCO₂ de 60 mmHg, HCO₃ de 31 mEq/l, pO₂ de 110 mmHg, Na de 131 mEq/l, Cl de 101 mEq/l e K de 2,9 mEq/l.Como os achados da gasometria arterial podem ser classificados?
pH ↑, pCO₂ ↑, HCO₃ ↑ = Alcalose metabólica com compensação respiratória.
A gasometria revela alcalose metabólica (pH alto, HCO₃ alto) com compensação respiratória (pCO₂ alto). A hipocalemia e a alcalose metabólica são achados comuns em pacientes pediátricos com insuficiência cardíaca congestiva em uso de diuréticos de alça (furosemida) e tiazídicos/espironolactona, que promovem perda de H+ e K+.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade essencial para residentes, especialmente em pediatria, onde os distúrbios ácido-base podem ser complexos e multifatoriais. Neste caso, o lactente com comunicação interventricular e insuficiência cardíaca congestiva, em uso de diuréticos, apresenta um quadro clássico de alcalose metabólica. A alcalose metabólica é caracterizada por um pH elevado e um bicarbonato (HCO₃) elevado. A compensação respiratória ocorre com o aumento da pCO₂, que é uma tentativa do organismo de reter CO₂ para acidificar o sangue. Os diuréticos de alça, como a furosemida, são uma causa comum de alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica, pois promovem a excreção de hidrogênio e potássio. A hipocalemia (K baixo) observada na gasometria reforça a suspeita de efeito diurético. O manejo desses pacientes envolve não apenas o tratamento da condição subjacente (CIV e broncopneumonia), mas também a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-base, ajustando a terapia diurética e repondo eletrólitos conforme necessário.
A alcalose metabólica é caracterizada por um pH elevado (>7,45) e um bicarbonato (HCO₃) elevado (>26 mEq/L). A pCO₂ pode estar elevada como mecanismo compensatório.
Em pediatria, causas comuns incluem vômitos prolongados, uso de diuréticos (especialmente de alça e tiazídicos), aspiração nasogástrica, fibrose cística e hiperaldosteronismo.
A furosemida (diurético de alça) causa perda de H+ e K+ na urina, levando à alcalose metabólica e hipocalemia. A espironolactona, embora poupadora de potássio, não reverte o efeito da furosemida na acidificação urinária e perda de H+.
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