Alcalose Metabólica: Identificando Causas na Gasometria

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015

Enunciado

Analisando a seguinte gasometria arterial de um paciente em ventilação espontânea em ar ambiente, qual a causa menos provável da (s) alteração (ões) apresentada (s)? pH 7.47. PaCO2 43 mmHg. PaO2 90 mmHg. HCO3- 31 mEq/L.

Alternativas

  1. A) Uso de sonda nasogástrica em sifonagem com resíduo de 800 ml em 24h.
  2. B) Uso de diurético de alça sem indução de hipovolemia. 
  3. C) Contração volumétrica após sudorese excessiva.
  4. D) Insuficiência adrenal primária crônica. 
  5. E) Transfusão maciça.

Pérola Clínica

pH 7.47, HCO3- 31 mEq/L, PaCO2 43 mmHg → Alcalose Metabólica. Insuficiência adrenal primária = acidose.

Resumo-Chave

A gasometria arterial indica uma alcalose metabólica (pH alto, HCO3- alto, PaCO2 normal). A insuficiência adrenal primária tipicamente causa acidose metabólica devido à deficiência de aldosterona, que leva à retenção de potássio e hidrogênio, sendo a causa menos provável para o quadro apresentado.

Contexto Educacional

A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental para qualquer médico, permitindo a avaliação rápida do equilíbrio ácido-base e da oxigenação. A alcalose metabólica é um distúrbio caracterizado por um pH arterial elevado e um aumento primário do bicarbonato sérico, com ou sem compensação respiratória. Sua identificação e a busca por sua etiologia são cruciais para o manejo adequado do paciente. As causas de alcalose metabólica são diversas e podem ser divididas em responsivas a cloreto (perda de volume e cloreto, como vômitos, aspiração gástrica, uso de diuréticos) e não responsivas a cloreto (estados de excesso mineralocorticoide, como hiperaldosteronismo primário, ou ingestão de álcalis). A avaliação do volume intravascular e dos níveis de cloreto urinário auxilia na diferenciação. No caso apresentado, a gasometria indica alcalose metabólica. A insuficiência adrenal primária, por outro lado, é classicamente associada à acidose metabólica hiperclorêmica com hipercalemia, devido à deficiência de aldosterona que impede a excreção de H+ e K+ pelos rins. Portanto, é a causa menos provável para o quadro de alcalose metabólica, sendo um ponto importante para diferenciar na prática clínica e em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Como identificar uma alcalose metabólica em uma gasometria arterial?

Uma alcalose metabólica é caracterizada por um pH elevado (>7.45) e um bicarbonato (HCO3-) elevado (>26 mEq/L). A PaCO2 pode estar normal ou discretamente elevada como mecanismo compensatório.

Quais são as causas comuns de alcalose metabólica?

As causas comuns incluem perda de ácido (vômitos persistentes, aspiração gástrica por sonda nasogástrica), uso de diuréticos de alça ou tiazídicos, contração de volume, hiperaldosteronismo e ingestão excessiva de álcalis.

Por que a insuficiência adrenal primária não é uma causa provável de alcalose metabólica?

A insuficiência adrenal primária (doença de Addison) cursa com deficiência de aldosterona, o que leva à perda renal de sódio e água, retenção de potássio e hidrogênio. Isso resulta tipicamente em acidose metabólica com hipercalemia, e não alcalose.

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