Albuminúria: Marcador de Risco Cardiovascular e Renal

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2020

Enunciado

Homem, de 60 anos, tabagista e com diagnóstico de diabetes e hipertensão arterial há mais de quinze anos. Em uso de anlodipino, 10 mg/dia, e metformina 850 mg, duas vezes ao dia. Os exames médicos por ele realizados, durante essa avaliação, evidenciaram os seguintes resultados: albuminúria = 200 mg/24horas; creatina sérica = 1,8 mg/dL (clearence de creatina CKD-EPI = 40 mL/min/1.73m²); potássio sérico = 4,8 mEq/L e hemoglobina glicosilada = 7,5%. Nesse caso clínico,

Alternativas

  1. A) o hábito de fumar tem sido considerado um fator de proteção para a progressão da nefropatia.
  2. B) a utilização de drogas inibidoras da enzima de conversão da angiotensina ou inibidoras do receptor AT1 da angiotensina está contraindicada pelo risco de hipercalemia.
  3. C) a metformina deve ser suspensa pelo risco de nefrotoxicidade.
  4. D) a presença de albuminúria é um marcador de risco para doenças cardiovasculares.

Pérola Clínica

Albuminúria = marcador independente de risco cardiovascular e progressão de doença renal crônica.

Resumo-Chave

A albuminúria, mesmo em níveis moderados (anteriormente microalbuminúria), é um forte preditor de risco cardiovascular e de progressão da doença renal crônica em pacientes com diabetes e hipertensão, indicando dano endotelial sistêmico.

Contexto Educacional

A doença renal crônica (DRC) é uma condição progressiva e multifatorial, frequentemente associada a diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS), que são as principais causas. A albuminúria, definida como a excreção urinária de albumina acima do normal (30-300 mg/24h para albuminúria moderada, >300 mg/24h para grave), é um marcador precoce de dano renal e um preditor independente de progressão da DRC e de eventos cardiovasculares. A fisiopatologia da albuminúria em DM e HAS envolve danos microvasculares e disfunção endotelial, levando ao aumento da permeabilidade glomerular. A presença de albuminúria indica não apenas lesão renal, mas também um processo inflamatório e aterosclerótico sistêmico. O diagnóstico é feito pela relação albumina/creatinina em amostra de urina ou pela coleta de urina de 24 horas. O manejo desses pacientes visa retardar a progressão da DRC e reduzir o risco cardiovascular. Isso inclui controle rigoroso da pressão arterial (com IECA ou BRA, que também reduzem a albuminúria), controle glicêmico (HbA1c < 7%), cessação do tabagismo, e uso de novas terapias como inibidores de SGLT2. A metformina deve ser ajustada ou suspensa em estágios avançados da DRC (TFG < 30 mL/min/1.73m²) devido ao risco de acidose lática.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da albuminúria na avaliação do paciente diabético e hipertenso?

A albuminúria é um marcador precoce de dano renal e um forte preditor de risco cardiovascular e de progressão da doença renal crônica em pacientes com diabetes e hipertensão, indicando disfunção endotelial sistêmica.

Como a albuminúria se relaciona com o risco cardiovascular?

A albuminúria reflete um aumento da permeabilidade vascular generalizada, não apenas nos rins, sendo um sinal de disfunção endotelial sistêmica que está diretamente associada a um maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC.

Quais são as recomendações para o controle da albuminúria?

O controle da albuminúria envolve o manejo rigoroso da pressão arterial (com IECA/BRA), controle glicêmico, cessação do tabagismo e, em alguns casos, uso de SGLT2i ou antagonistas do receptor de mineralocorticoide, além de dieta com restrição de sódio e proteínas.

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