AINEs no IAM: Riscos Cardiovasculares e Conduta

Hospital do Açúcar - Maceió (AL) — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 65 anos, admitida com Infarto Agudo do Miocárdio, antecedente de Osteoartrite em uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais. Com relação ao uso desta classe de medicamentos no Infarto, é CORRETO afirmar que deve ser:

Alternativas

  1. A) mantida, pois não aumenta os riscos cardiovasculares, porém há necessidade de associação do Ácido Acetilsalicílico para a prevenção de reinfarto.
  2. B) mantida, pois não aumenta os riscos cardiovasculares e não há necessidade de associação do Ácido Acetilsalicílico para a prevenção de reinfarto, pois se trata da mesma classe farmacológica.
  3. C) suspensa pelo risco aumentado de hipertensão, reinfarto e mortalidade, e introduzido o Ácido Acetilsalicílico.
  4. D) suspensa pelo risco aumentado de Gastrite e Úlcera Gástrica se utilizado em conjunto com o Ácido Acetilsalicílico.

Pérola Clínica

AINEs no IAM → ↑ risco de reinfarto, HAS e mortalidade; SUSPENDER e iniciar AAS.

Resumo-Chave

O uso de AINEs, especialmente os inibidores seletivos da COX-2, está associado a um aumento significativo do risco de eventos cardiovasculares adversos, como reinfarto, hipertensão e mortalidade em pacientes com IAM. Portanto, devem ser suspensos e o AAS, um antiagregante plaquetário essencial, deve ser introduzido para prevenção secundária.

Contexto Educacional

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma condição grave que exige manejo cuidadoso, especialmente em pacientes com comorbidades. A osteoartrite, por exemplo, é uma condição comum em idosos que frequentemente leva ao uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). É crucial que o médico residente compreenda a interação entre essas medicações e a doença cardiovascular. Os AINEs, incluindo os inibidores seletivos da COX-2, estão associados a um aumento do risco de eventos cardiovasculares adversos, como hipertensão, insuficiência cardíaca, reinfarto e mortalidade, especialmente em pacientes com doença cardíaca isquêmica preexistente. O mecanismo envolve a inibição da síntese de prostaglandinas protetoras, levando a um desequilíbrio entre efeitos protrombóticos e antitrombóticos, além de retenção de sódio e água. Portanto, em um paciente com IAM, o uso de AINEs deve ser imediatamente suspenso. O ácido acetilsalicílico (AAS) é a pedra angular da terapia antiplaquetária no IAM e deve ser introduzido ou mantido, a menos que haja contraindicação absoluta, para reduzir o risco de eventos trombóticos recorrentes. A escolha de analgésicos alternativos, como paracetamol ou opioides em casos selecionados, deve ser considerada para o manejo da dor.

Perguntas Frequentes

Quais os riscos cardiovasculares dos AINEs em pacientes com IAM?

Os AINEs aumentam o risco de reinfarto, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e mortalidade em pacientes com infarto agudo do miocárdio, devido a mecanismos como retenção hídrica, aumento da pressão arterial e efeitos protrombóticos.

Qual a conduta em relação aos AINEs em um paciente com IAM?

A conduta correta é suspender imediatamente o uso de AINEs devido aos riscos cardiovasculares e introduzir o ácido acetilsalicílico (AAS) para a prevenção secundária de eventos trombóticos, conforme as diretrizes de manejo do IAM.

Por que o AAS é fundamental no tratamento do IAM?

O ácido acetilsalicílico é um antiagregante plaquetário que inibe a ciclooxigenase-1 (COX-1) nas plaquetas, reduzindo a formação de tromboxano A2 e, consequentemente, a agregação plaquetária. Isso é crucial para prevenir a formação de novos trombos e o reinfarto em pacientes com doença arterial coronariana.

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