UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Lactente de 8 meses chega à Unidade de Saúde da Família apresentando há 2 dias febre de 38,5º C e tosse. Ao exame apresenta Frequência respiratória de 58 irpm sem ruídos adventícios e sem tiragem intercostal ou batimento de asas do nariz. Considerando a estratégia Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) da OMS, assinale qual a melhor conduta nesse caso:
A Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) é uma estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do UNICEF que visa reduzir a mortalidade e morbidade infantil em países em desenvolvimento. Ela padroniza a avaliação, classificação e tratamento de doenças comuns em crianças menores de 5 anos, como pneumonia, diarreia, malária, sarampo e desnutrição, baseando-se em sinais clínicos simples e de fácil identificação por profissionais de saúde da atenção primária. A pneumonia é uma das principais causas de mortalidade infantil globalmente, e a identificação precoce e o tratamento adequado são cruciais para um bom prognóstico. A AIDPI foca na detecção de sinais de perigo e na classificação da gravidade para guiar a conduta, seja tratamento ambulatorial ou referência hospitalar. No contexto da pneumonia, a AIDPI utiliza a frequência respiratória como um dos principais indicadores. A taquipneia, mesmo na ausência de outros sinais de desconforto respiratório mais graves como tiragem subcostal, já é suficiente para classificar o caso como pneumonia e iniciar o tratamento com antibióticos. Isso reflete a importância de não subestimar a elevação da frequência respiratória em crianças, que pode ser o único sinal precoce de infecção pulmonar. A abordagem da AIDPI é prática e visa capacitar profissionais para tomar decisões rápidas e eficazes em ambientes com recursos limitados, garantindo que as crianças recebam o cuidado necessário no momento certo. O tratamento da pneumonia não grave pela AIDPI geralmente envolve a administração de antibióticos orais, como a amoxicilina, e antitérmicos para alívio dos sintomas. É fundamental agendar um retorno em 48 horas para reavaliar a criança e garantir que o tratamento esteja sendo eficaz. Caso haja piora ou não melhora dos sintomas, ou o surgimento de sinais de perigo, a criança deve ser reclassificada e, se necessário, referida para um nível de atenção de maior complexidade. Este acompanhamento é vital para prevenir complicações e garantir a recuperação completa do paciente.
Pela estratégia AIDPI, a taquipneia é definida por uma frequência respiratória maior ou igual a 60 irpm para crianças de 0 a 2 meses, e maior ou igual a 50 irpm para crianças de 2 meses a 12 meses. No caso de 1 a 5 anos, é maior ou igual a 40 irpm.
A referência urgente ao hospital é indicada para casos de pneumonia grave ou doença muito grave, que incluem sinais como tiragem subcostal, batimento de asas do nariz, gemência, cianose, incapacidade de beber, vômitos persistentes, convulsões ou letargia. A taquipneia isolada, como no caso, permite tratamento ambulatorial.
Para pneumonia não grave em crianças, a amoxicilina oral é o antibiótico de primeira escolha recomendado pela estratégia AIDPI. A dose e duração do tratamento devem seguir as diretrizes locais e a resposta clínica do paciente.
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