Agranulocitose por Tapazol: Reconhecimento e Manejo Urgente

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 53 anos, com diagnóstico de doença de Graves há 2 meses, está em tratamento irregular com tapazol 30mg/dia. Há 72 horas, queixa-se de odinofagia e febre. Exames laboratoriais: hemoglobina (Hb) = 12g/dL; leucócitos = 1200/mm³(40% de neutrófilos + basófilos + eosinófilos); plaquetas = 180.000/mL. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) manutenção da dose do tapazol
  2. B) suspensão do tapazol
  3. C) aumento da dose do tapazol
  4. D) redução da dose do tapazol

Pérola Clínica

Paciente em uso de Tapazol com febre e odinofagia + leucopenia (<1500/mm³) → Suspeitar agranulocitose e SUSPENDER Tapazol IMEDIATAMENTE.

Resumo-Chave

A agranulocitose é uma complicação rara, mas grave, do tratamento com tionamidas (como o Tapazol/metimazol), caracterizada por uma queda acentuada nos neutrófilos. Febre e odinofagia são sintomas de alerta, e a leucopenia com neutrófilos < 500/mm³ (ou < 1000/mm³ com sintomas) exige a suspensão imediata da medicação e investigação. No caso, 1200 leucócitos com 40% de neutrófilos = 480 neutrófilos/mm³, configurando agranulocitose.

Contexto Educacional

A doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, uma condição autoimune caracterizada pela produção de anticorpos estimuladores do receptor de TSH. O tratamento farmacológico frequentemente envolve tionamidas, como o Tapazol (metimazol) ou propiltiouracil (PTU), que inibem a síntese de hormônios tireoidianos. Embora eficazes, essas drogas podem causar efeitos adversos graves. Um dos efeitos adversos mais temidos das tionamidas é a agranulocitose, uma condição rara (0,1-0,5% dos casos) mas potencialmente fatal, caracterizada por uma redução drástica na contagem de neutrófilos (<500/mm³). A agranulocitose geralmente ocorre nas primeiras semanas ou meses de tratamento, mas pode surgir a qualquer momento. Os pacientes devem ser orientados a procurar atendimento médico imediatamente se desenvolverem febre, dor de garganta ou outros sinais de infecção. Diante da suspeita de agranulocitose (febre, odinofagia, mal-estar) em um paciente usando tionamidas, a conduta mais adequada é a suspensão imediata da medicação e a realização de um hemograma completo. Se confirmada a neutropenia grave, o paciente deve ser hospitalizado, avaliado para infecções e pode necessitar de antibioticoterapia empírica e fatores estimuladores de colônias de granulócitos (G-CSF) para acelerar a recuperação da medula óssea.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para agranulocitose em pacientes usando tionamidas?

Os principais sinais de alerta para agranulocitose incluem febre, dor de garganta (odinofagia), úlceras orais, mal-estar e outros sintomas de infecção. É fundamental que o paciente seja instruído a procurar atendimento médico imediatamente caso apresente esses sintomas.

Qual a definição laboratorial de agranulocitose induzida por tionamidas?

A agranulocitose é definida por uma contagem absoluta de neutrófilos (CAN) inferior a 500/mm³. Em pacientes sintomáticos, uma CAN abaixo de 1000/mm³ já deve levantar forte suspeita e levar à suspensão da medicação, como no caso da questão (480 neutrófilos/mm³).

Qual a conduta inicial ao suspeitar de agranulocitose por Tapazol?

A conduta inicial e mais importante é a suspensão imediata do Tapazol (ou qualquer tionamida) e a realização de um hemograma completo de urgência. O paciente deve ser avaliado para infecções e, se necessário, iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro, além de considerar o uso de fatores estimuladores de colônias de granulócitos (G-CSF).

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