SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Homem de 45 anos, diagnosticado com hipertireoidismo há 3 meses e em tratamento com tapazol 40 mg/dia, retorna ao consultório com febre alta (38,5°C), odinofagia, úlceras orais e fadiga há 4 dias. Relata também calafrios, e sensação de fraqueza acentuada. Exame físico revela faringite, linfadenopatia cervical e úlceras em mucosa oral. Qual a conduta mais apropriada neste caso?
Febre + Odinofagia em uso de Tapazol → Suspender droga + Hemograma URGENTE.
A agranulocitose é o efeito colateral mais temido das tionamidas; diante de sinais de infecção, a suspensão imediata e a contagem de leucócitos são imperativas.
O caso clínico descreve um paciente com hipertireoidismo em uso de dose alta de Tapazol (40 mg/dia) que apresenta a tríade clássica de agranulocitose: febre, odinofagia e úlceras orais. Esta é uma emergência hematológica induzida por fármacos. A fisiopatologia envolve mecanismos imunomediados que destroem os precursores granulocíticos na medula óssea ou os neutrófilos periféricos. A conduta correta (Alternativa C) é a interrupção imediata da droga, pois a manutenção do fármaco impede a recuperação medular e aumenta drasticamente o risco de sepse e óbito. O hemograma é o exame de escolha para confirmar a neutropenia grave.
É uma reação adversa rara (0,2% a 0,5%), mas potencialmente fatal, caracterizada por uma queda drástica na contagem de granulócitos (neutrófilos < 500/mm³). É um efeito idiossincrásico, geralmente ocorrendo nos primeiros 3 meses de tratamento com metimazol (Tapazol) ou propiltiouracil (PTU). Clinicamente, manifesta-se como febre alta, dor de garganta intensa (odinofagia) e úlceras orais/faringeas, refletindo a perda da defesa imunológica contra a microbiota local.
A conduta deve ser imediata: suspender o uso da medicação antitiroideana e realizar um hemograma completo com contagem diferencial de leucócitos. O paciente deve ser orientado desde o início do tratamento a procurar o pronto-socorro e interromper a droga por conta própria caso apresente febre ou dor de garganta. Se a agranulocitose for confirmada, o paciente deve ser hospitalizado, isolado e iniciado antibioticoterapia de amplo espectro, além de considerar o uso de G-CSF (fator estimulador de colônias de granulócitos).
Não. Existe uma alta taxa de reatividade cruzada (cerca de 50%) entre as tionamidas (metimazol e propiltiouracil) em relação à agranulocitose. Se um paciente desenvolve essa complicação com uma droga, a outra está formalmente contraindicada. Nesses casos, o controle do hipertireoidismo deve ser feito com outras modalidades, como iodo radioativo ou cirurgia (tireoidectomia), após preparo adequado com betabloqueadores e, se necessário, solução de Lugol.
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