Agranulocitose por Antitiroidianos: Conduta na Febre

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Menina, 15 anos, há aproximadamente 24 horas, iniciou quadro de febre associada a odinofagia. Exame físico: hiperemia de orofaringe sem exudatos ou adenomegalia cervical. Refere que está em tratamento para hipertireoidismo, há 2 meses. Neste momento, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Prescrever medicação para alívio dos sintomas.
  2. B) Solicitar hemograma completo.
  3. C) Solicitar swab para teste rápido de antígeno de estreptococos.
  4. D) Iniciar antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Febre + Odinofagia em uso de Metimazol/PTU → Solicitar Hemograma imediato (Agranulocitose).

Resumo-Chave

O uso de tionamidas (Metimazol ou PTU) está associado ao risco de agranulocitose (neutrófilos < 500/mm³), uma complicação rara mas potencialmente fatal que exige interrupção imediata da droga.

Contexto Educacional

A agranulocitose é a complicação mais temida das tionamidas. O quadro clínico mimetiza uma faringite estreptocócica ou viral, mas a história medicamentosa é o divisor de águas no raciocínio clínico. O atraso no diagnóstico eleva drasticamente a mortalidade por sepse. Este cenário é frequente em provas de residência para testar a vigilância do médico sobre efeitos adversos graves de medicações comuns. A conduta é sempre diagnóstica (hemograma) e de interrupção da droga, nunca apenas sintomática.

Perguntas Frequentes

Por que o hemograma é a conduta prioritária neste caso?

O hemograma é essencial porque as tionamidas, como o metimazol e o propiltiouracil, podem causar agranulocitose idiossincrática em cerca de 0,2% a 0,5% dos pacientes. Esta condição é caracterizada por uma queda drástica na contagem de neutrófilos, tornando o paciente vulnerável a infecções graves. Como a febre e a odinofagia são os sinais iniciais clássicos dessa toxicidade medular, a confirmação ou exclusão de neutropenia deve preceder qualquer outra conduta, incluindo a prescrição de antibióticos ou sintomáticos, para que a droga suspeita seja suspensa imediatamente se necessário.

Qual o período de maior risco para agranulocitose por tionamidas?

A maioria dos casos de agranulocitose ocorre nos primeiros três meses de tratamento, embora possa surgir em qualquer momento da terapia. É um efeito adverso que não depende necessariamente da dose (embora no metimazol haja certa correlação dose-dependente, ao contrário do PTU). Devido à sua natureza súbita e imprevisível, o monitoramento rotineiro com hemogramas seriados em pacientes assintomáticos é controverso e muitas vezes não recomendado; em vez disso, orienta-se o paciente a procurar atendimento imediato e realizar o exame ao primeiro sinal de febre ou dor de garganta.

Como manejar o paciente se a agranulocitose for confirmada?

Se o hemograma revelar contagem de neutrófilos inferior a 500/mm³, a tionamida deve ser suspensa permanentemente e nunca mais reintroduzida, devido ao alto risco de recorrência e reatividade cruzada entre metimazol e PTU. O paciente deve ser hospitalizado para isolamento protetor e início de antibioticoterapia de amplo espectro se houver sinais de infecção. O uso de fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF) pode ser considerado para acelerar a recuperação medular. Alternativas para o tratamento do hipertireoidismo, como iodo radioativo ou cirurgia, devem ser planejadas após a estabilização do quadro hematológico.

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