CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
Assinale a alternativa correta em relação aos efeitos colaterais e complicações observadas em pacientes com uso tópico de fármaco agonista colinérgico de ação direta:
Agonistas colinérgicos tópicos → Miose + Espasmo acomodativo + Sinais parassimpáticos (diarreia/sialorreia).
Fármacos como a pilocarpina estimulam receptores muscarínicos, causando efeitos oculares (miose) e sistêmicos (estimulação de glândulas e motilidade GI) por absorção via ducto nasolacrimal.
Os agonistas colinérgicos de ação direta, representados principalmente pela pilocarpina, atuam mimetizando a acetilcolina nos receptores muscarínicos. Na oftalmologia, são utilizados historicamente no tratamento do glaucoma de ângulo aberto e no fechamento angular agudo. No entanto, seu perfil de efeitos colaterais é amplo. Ocularmente, a miose pode reduzir a acuidade visual em pacientes com catarata central e o espasmo ciliar causa cefaleia frontal. Sistemicamente, a estimulação do sistema nervoso parassimpático leva ao aumento das secreções glandulares e da motilidade do trato gastrointestinal, justificando sintomas como sialorreia e diarreia.
Os principais efeitos oculares incluem miose intensa (contração do esfíncter da íris), espasmo de acomodação (contração do músculo ciliar), que pode causar miopização transitória e dor ocular/periocular, e redução da pressão intraocular através do aumento do escoamento do humor aquoso pelo trabeculado.
Os efeitos sistêmicos ocorrem devido à absorção do fármaco pela mucosa nasolacrimal e gastrointestinal (após drenagem pelo ducto lacrimal e deglutição). Como esses fármacos não sofrem metabolismo de primeira passagem hepática quando absorvidos pela mucosa nasal, podem atingir níveis plasmáticos suficientes para estimular receptores muscarínicos em outros órgãos.
A toxicidade sistêmica manifesta-se como uma crise colinérgica, caracterizada por salivação excessiva (sialorreia), sudorese (diaforese), náuseas, vômitos, diarreia, cólicas abdominais, bradicardia e broncoespasmo. Em casos graves, pode haver hipotensão e edema pulmonar.
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