Pilocarpina e Agonistas Colinérgicos na Oftalmologia

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

Com relação aos agonistas colinérgicos, como a pilocarpina, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Apresentam ação indireta e atuam aumentando a quantidade de acetilcolina disponível nos receptores
  2. B) Estão contraindicados no tratamento do glaucoma neovascular
  3. C) São derivados sintéticos do ácido trópico que agem diretamente nos receptores muscarínicos M3
  4. D) Estão indicados para o tratamento da astenopia induzida pelo espasmo de acomodação (do músculo ciliar)

Pérola Clínica

Pilocarpina no glaucoma neovascular → Contraindicada por quebrar a barreira hematoaquosa e exacerbar a inflamação.

Resumo-Chave

Agonistas colinérgicos como a pilocarpina agem diretamente nos receptores M3, mas seu uso é restrito devido a efeitos colaterais e contraindicações em olhos inflamados.

Contexto Educacional

A pilocarpina, derivada do *Pilocarpus jaborandi*, foi o primeiro fármaco eficaz no tratamento do glaucoma. Embora tenha perdido espaço para os análogos de prostaglandina e betabloqueadores devido à posologia e efeitos colaterais, ainda é fundamental no manejo agudo do glaucoma de ângulo fechado (após a queda da PIO) para realizar a iridotomia periférica a laser.

Perguntas Frequentes

Por que a pilocarpina é contraindicada no glaucoma neovascular?

A pilocarpina é contraindicada no glaucoma neovascular e em glaucomas uveíticos porque ela aumenta a permeabilidade da barreira hematoaquosa, exacerbando a inflamação intraocular. Além disso, a miose induzida pode favorecer a formação de sinéquias posteriores e o fechamento angular em olhos já comprometidos por membranas fibrovasculares.

Qual o mecanismo de ação da pilocarpina no glaucoma?

A pilocarpina é um agonista colinérgico de ação direta que estimula os receptores muscarínicos M3 no músculo esfíncter da íris (causando miose) e no músculo ciliar. A contração do músculo ciliar traciona o esporão escleral, abrindo as malhas do trabéculo e facilitando o escoamento do humor aquoso.

Quais os principais efeitos colaterais sistêmicos e oculares?

Oculares: Miose severa (baixa visão noturna), espasmo de acomodação (miopização transitória e dor supraciliar) e risco de descolamento de retina. Sistêmicos: Sudorese, salivação excessiva, bradicardia e distúrbios gastrointestinais, embora raros com o uso tópico.

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