CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2015
Sobre os agentes midriáticos, é correto afirmar:
Fenilefrina 10% + Antidepressivos Tricíclicos → Risco de crise hipertensiva por hipersensibilidade adrenérgica.
A fenilefrina é um simpaticomimético alfa-1 puro; sua interação com tricíclicos potencializa a resposta pressórica. A pigmentação da íris retarda a dilatação por sequestro do fármaco pelo pigmento.
O conhecimento da farmacologia ocular é essencial para evitar complicações sistêmicas. A fenilefrina 10% deve ser usada com extrema cautela em idosos, cardiopatas e pacientes em uso de certas medicações psicotrópicas. Além disso, a escolha do agente para refração depende da idade do paciente e do grau de cicloplegia necessário, sendo a atropina o padrão-ouro para paralisia total da acomodação, embora com efeitos prolongados. Na prática clínica, a tropicamida é frequentemente utilizada para exames de fundo de olho devido ao seu rápido início e curta duração, mas sua eficácia para determinar o erro refracional real em crianças é limitada. O entendimento das barreiras farmacocinéticas, como a pigmentação uveal, permite ao médico ajustar a conduta para cada fenótipo de paciente.
Os antidepressivos tricíclicos inibem a recaptação de noradrenalina nas fendas sinápticas. A fenilefrina é um agonista alfa-adrenérgico. Quando administrada sistemicamente ou em altas concentrações tópicas (10%), a fenilefrina pode causar uma resposta pressórica exagerada devido à falta de mecanismos de recaptação e à hipersensibilidade de denervação funcional, levando a crises hipertensivas graves, arritmias e até infarto do miocárdio.
Sim, a pigmentação da íris influencia significativamente a farmacocinética dos midriáticos. O pigmento (melanina) na íris e no corpo ciliar liga-se a fármacos lipofílicos, como a atropina e a fenilefrina. Isso resulta em um início de ação mais lento e uma duração de efeito mais prolongada em olhos com íris escuras (castanhas), exigindo por vezes doses maiores ou mais frequentes para atingir a midríase desejada em comparação com íris claras.
Midríase refere-se exclusivamente à dilatação da pupila, geralmente mediada por agonistas alfa-adrenérgicos (estimulando o músculo dilatador) ou antagonistas muscarínicos (inibindo o esfíncter). Cicloplegia é a paralisia do músculo ciliar, resultando na perda da acomodação visual, sendo mediada apenas por anticolinérgicos. Nem todo midriático é cicloplégico (ex: fenilefrina), mas todo cicloplégico causa midríase.
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