Anticolinérgicos em Oftalmologia: Atropina e Tropicamida

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Assinale a alternativa correta em relação aos agentes anticolinérgicos utilizados em oftalmologia:

Alternativas

  1. A) A atropina, fármaco que atua bloqueando a acetilcolina nos receptores pós-sinápticos do sistema parassimpático, apresenta efeitos colaterais sistêmicos dose-dependentes
  2. B) A tropicamida, por difundir-se com muita facilidade na porção lipídica do epitélio corneal, é o mais potente cicloplégico disponível
  3. C) Enquanto o efeito midriático máximo da atropina ocorre em 1 a 2 horas, seu efeito cicloplégico máximo ocorre em 30 a 40 minutos
  4. D) O aumento da salivação e bradicardia são os primeiros sintomas de toxicidade pela tropicamida, podendo evoluir rapidamente para perda cognitiva e delírio

Pérola Clínica

Atropina → Bloqueio muscarínico pós-sináptico + Efeitos sistêmicos dose-dependentes (boca seca, rubor, taquicardia).

Resumo-Chave

A atropina é o anticolinérgico mais potente na oftalmologia, agindo por bloqueio competitivo da acetilcolina, mas sua absorção sistêmica pode causar efeitos colaterais clássicos do 'antidoto' muscarínico.

Contexto Educacional

Os anticolinérgicos (ou parassimpaticolíticos) são fundamentais na prática oftalmológica para exames de refração (especialmente em crianças) e no tratamento de uveítes anteriores (para prevenir sinéquias e reduzir a dor do espasmo ciliar). A atropina apresenta uma farmacocinética de longa duração: seu efeito midriático máximo ocorre em cerca de 30-40 minutos, mas a cicloplegia máxima pode levar várias horas para se estabelecer completamente, persistindo por dias. A segurança no uso desses fármacos exige cautela com a dosagem, especialmente em pacientes pediátricos, devido à rápida absorção pela mucosa nasofaríngea após drenagem pelo ducto nasolacrimal. A alternativa 'A' está correta ao afirmar que os efeitos sistêmicos são dose-dependentes e decorrem do bloqueio muscarínico.

Perguntas Frequentes

Como a atropina age no olho?

A atropina atua como um antagonista competitivo dos receptores muscarínicos (pós-sinápticos) do sistema parassimpático. No olho, ela bloqueia a ação da acetilcolina no músculo esfíncter da íris (causando midríase) e no músculo ciliar (causando cicloplegia ou paralisia da acomodação).

Quais os sinais de toxicidade sistêmica por anticolinérgicos tópicos?

Os sinais clássicos incluem boca seca (xerostomia), taquicardia, rubor facial, febre (especialmente em crianças), diminuição da motilidade gastrointestinal e, em casos graves, efeitos no sistema nervoso central como desorientação, alucinações e delírio. A bradicardia e o aumento da salivação são efeitos colinérgicos, opostos ao esperado na toxicidade por atropina.

Qual a diferença de potência entre atropina e tropicamida?

A atropina é o agente cicloplégico mais potente disponível, com efeitos que podem durar de 7 a 14 dias. A tropicamida, embora tenha início de ação rápido e boa penetração lipídica, é o cicloplégico de menor duração e potência, sendo mais utilizada para midríase diagnóstica em exames de fundo de olho.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo