FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 8 anos, agenda consulta com pediatra devido a quadro de dor importante em membros inferiores há cerca de 6 semanas, especialmente em tornozelos. Além disso, a mãe notou surgimento de pequenas pápulas disseminadas por todo o tronco e membros, indolores e não pruriginosas, além de hipertrofia gengival com sangramento ao escovar os dentes. O paciente era previamente hígido, exceto pelo diagnóstico de transtorno do espectro autista desde o 3º ano de vida e uma importante seletividade alimentar, que o levava a se alimentar somente de arroz cozido e batatas, já em seguimento com equipe multidisciplinar. Ao exame físico, apresentava lesões sugestivas de foliculite hemorrágica disseminadas e hipertrofia gengival, ilustradas nas imagens a seguir. Os tornozelos apresentavam dor à palpação, sem edemas ou sinais flogísticos. Sem outras alterações relevantes. Foi realizada ressonância magnética de tornozelos que mostrou diversos focos de hemorragia subperiosteal e osteopenia. Os demais exames complementares mostraram haver discreta anemia, sem outras citopenias, sem comprometimento metabólico, hepático, renal ou outras alterações relevantes. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável assinale a alternativa que contém a conduta mais adequada:
Criança com seletividade alimentar + dor óssea + hipertrofia gengival + foliculite hemorrágica = Escorbuto → Reposição Vit C.
O escorbuto, causado pela deficiência de vitamina C, deve ser suspeitado em crianças com seletividade alimentar, apresentando dor óssea (devido a hemorragias subperiosteais), manifestações cutâneas como foliculite hemorrágica e petéquias, e alterações gengivais como hipertrofia e sangramento. O tratamento é a reposição de ácido ascórbico.
O escorbuto é uma doença causada pela deficiência grave e prolongada de vitamina C (ácido ascórbico). Embora historicamente associado a marinheiros e dietas precárias, ainda é observado em populações modernas, especialmente em crianças com dietas restritivas, seletividade alimentar ou condições que aumentam a demanda ou diminuem a absorção de vitamina C. A vitamina C é um cofator essencial para a hidroxilação da prolina e lisina na síntese de colágeno, crucial para a integridade dos tecidos conjuntivos. As manifestações clínicas do escorbuto são variadas e refletem a falha na síntese de colágeno. Em crianças, os sintomas incluem irritabilidade, dor em membros inferiores (devido a hemorragias subperiosteais e osteopenia, que podem ser vistas na ressonância magnética), pseudoparalisia, e alterações ósseas. Na pele, podem surgir foliculite hemorrágica, petéquias e equimoses. As gengivas tornam-se edemaciadas, hipertrofiadas, arroxeadas e sangram facilmente. Anemia discreta também é comum. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história alimentar e nos achados físicos. A dosagem de vitamina C plasmática pode confirmar a deficiência. O tratamento é simples e altamente eficaz: reposição oral de vitamina C (ácido ascórbico), com doses terapêuticas que rapidamente revertem os sintomas. A melhora da dor e das hemorragias é notável em poucos dias, e a recuperação completa geralmente ocorre em semanas. É fundamental abordar a causa subjacente da deficiência, como a seletividade alimentar, com acompanhamento nutricional.
Em crianças, o escorbuto manifesta-se com dor óssea (especialmente em membros inferiores devido a hemorragias subperiosteais), irritabilidade, pseudoparalisia, foliculite hemorrágica, petéquias, equimoses, hipertrofia e sangramento gengival, e anemia.
A causa mais comum é a ingestão inadequada de vitamina C, frequentemente associada a dietas extremamente restritivas ou seletividade alimentar, como visto em crianças com transtorno do espectro autista.
A vitamina C é essencial para a síntese de colágeno, um componente fundamental de tecidos conjuntivos, vasos sanguíneos e ossos. Sua deficiência leva à fragilidade capilar (hemorragias), comprometimento da formação óssea e cicatrização de feridas.
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