Ágar Lowenstein-Jensen na Ceratite por Micobactérias

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

O meio de cultura ágar de Lowestein-Jensen é indicado na suspeita de ceratite causada por:

Alternativas

  1. A) Micobactérias
  2. B) Pseudomonas
  3. C) Acanthamoeba
  4. D) Fungo filamentoso

Pérola Clínica

Suspeita de Micobactéria (especialmente pós-cirurgia refrativa) → Semear em Ágar Lowenstein-Jensen.

Resumo-Chave

O meio Lowenstein-Jensen é seletivo e enriquecido para o crescimento de espécies de Mycobacterium, sendo essencial no diagnóstico de ceratites infecciosas de evolução lenta ou pós-procedimentos cirúrgicos.

Contexto Educacional

O diagnóstico laboratorial das ceratites infecciosas é um pilar da oftalmologia de urgência. As micobactérias, embora menos comuns que as bactérias gram-positivas, representam um desafio terapêutico significativo devido à sua resistência intrínseca a muitos antibióticos oftálmicos comuns. O uso do meio Lowenstein-Jensen permite a identificação correta desses agentes, que podem levar semanas para crescer. Fisiopatologicamente, as micobactérias causam uma resposta inflamatória granulomatosa no estroma corneano. O reconhecimento precoce através da cultura em meio adequado evita o uso inadvertido de corticoides isolados, que podem exacerbar a infecção, e direciona a terapia para esquemas específicos, como a claritromicina ou amicacina tópica.

Perguntas Frequentes

Por que o Ágar Lowenstein-Jensen é usado para micobactérias?

O Ágar Lowenstein-Jensen (LJ) é um meio de cultura sólido que contém ovos inteiros, glicerol, sais minerais e verde malaquita. O verde malaquita inibe o crescimento de grande parte da microbiota contaminante (bactérias gram-positivas e negativas), permitindo que as micobactérias, que possuem uma parede celular rica em lipídios e crescimento lento, se desenvolvam sem competição excessiva. É o padrão-ouro para o isolamento desses patógenos.

Quando suspeitar de ceratite por micobactéria?

Deve-se suspeitar de micobactérias (geralmente micobactérias não tuberculosas de crescimento rápido, como M. chelonae ou M. fortuitum) em casos de ceratites infecciosas que ocorrem após traumas com solo, procedimentos cirúrgicos oculares (como LASIK ou injeções intravítreas) ou quando há resistência ao tratamento antibiótico convencional. Clinicamente, apresentam-se como infiltrados estromais crônicos, muitas vezes com aspecto de 'brilho de cristal' ou 'rachaduras'.

Quais outros meios são usados na rotina de ceratites?

Além do Lowenstein-Jensen para micobactérias, a rotina inclui: Ágar Sangue (bactérias em geral e fungos), Ágar Chocolate (Haemophilus e Neisseria), Ágar Sabouraud (fungos) e Ágar Não-Nutriente com E. coli (Acanthamoeba). O Caldo Tioglicolato também é utilizado para bactérias anaeróbias e microaerófilas. A escolha correta do meio é vital para o sucesso do tratamento baseado na cultura.

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