UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menino, 3a, é trazido para consulta por suspeita de “imunidade baixa”. Mãe conta que desde os 9 meses de idade já apresentou quatro pneumonias, cinco otites e três episódios de diarreia grave com desidratação. Em todos os episódios necessitou de tratamento hospitalar. Residem em zona rural com água de poço e fossa séptica. Tio materno da criança faleceu aos 5 anos de idade por “infecção”. Está com a vacinação atrasada. Exame físico: peso e altura abaixo da média, porém ainda dentro do esperado para a idade, e não há outros achados. Desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Exames complementares: hemograma normal, IgA indetectável e dosagens de IgG e IgM abaixo do segundo desvio padrão/P10 para a idade (sendo IgG = 200 mg/dl.) A hipótese diagnóstica e a conduta são:
Menino + Infecções graves + ↓ todas Igs + História familiar materna → Bruton (B-).
A Agamaglobulinemia de Bruton é uma imunodeficiência humoral grave por falha na maturação de linfócitos B, cursando com ausência de anticorpos e linfócitos B circulantes.
A Agamaglobulinemia ligada ao X (ALX) é o protótipo das deficiências de anticorpos. O quadro clínico clássico envolve um paciente do sexo masculino com infecções bacterianas sinopulmonares e gastrointestinais recorrentes (como por Giardia lamblia) que se iniciam após a queda dos anticorpos maternos. A ausência de tecido linfoide periférico (amígdalas e linfonodos pequenos) é um sinal físico importante. O diagnóstico é sugerido pela hipogamaglobulinemia acentuada e confirmado pela imunofenotipagem, que demonstra a ausência de linfócitos B circulantes (padrão B-). O histórico familiar de óbitos precoces em parentes do lado materno reforça a herança ligada ao X. O manejo precoce com imunoglobulina é crucial para prevenir sequelas como bronquiectasias e garantir a sobrevida do paciente.
É uma imunodeficiência primária causada por mutação no gene BTK (tirosina quinase de Bruton), essencial para a maturação dos linfócitos pré-B em linfócitos B maduros. Laboratorialmente, observa-se níveis extremamente baixos de todas as classes de imunoglobulinas (IgG, IgA, IgM) e ausência ou níveis muito baixos (<2%) de linfócitos B (CD19/CD20) no sangue periférico.
Nos primeiros meses de vida, o lactente está protegido pelos anticorpos IgG maternos transferidos via placenta durante o terceiro trimestre da gestação. À medida que esses anticorpos maternos são catabolizados e desaparecem (geralmente entre 6 a 9 meses), a criança com Bruton torna-se vulnerável a infecções por patógenos encapsulados.
O tratamento baseia-se na reposição vitalícia de imunoglobulina humana (IV ou SC) para manter níveis séricos de IgG que previnam infecções graves. Além disso, deve-se evitar vacinas de agentes vivos atenuados e tratar agressivamente qualquer foco infeccioso.
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