FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Um menino de 4 anos apresenta histórico de infecções recorrentes desde os 6 meses de vida, incluindo pneumonias bacterianas, otites médias agudas de repetição e diarreia crônica. No exame físico, observa-se a ausência de tonsilas palatinas e hepatoesplenomegalia discreta. Os exames laboratoriais revelam hipogamaglobulinemia com níveis indetectáveis de IgA e IgM, e uma diminuição acentuada de linfócitos B no sangue periférico. A criança nunca recebeu vacina com vírus vivo atenuado devido ao risco de complicações. Com base no quadro clínico e laboratorial descrito, qual o diagnóstico e o tratamento de escolha para essa condição?
Menino + Infecções após 6 meses + Tonsilas ausentes + Linfócitos B zero = Bruton.
A Doença de Bruton decorre de uma falha na maturação dos linfócitos B por mutação na enzima BTK, resultando em ausência de anticorpos e necessidade de reposição vitalícia de imunoglobulina.
A Agamaglobulinemia ligada ao X (XLA) é o protótipo das imunodeficiências humorais. A mutação no gene BTK impede a sinalização necessária para que o pró-linfócito B se transforme em pré-linfócito B na medula óssea. Sem linfócitos B maduros, não há diferenciação em plasmócitos e, consequentemente, não há produção de anticorpos. O tratamento baseia-se na reposição regular de imunoglobulina (intravenosa ou subcutânea) para manter níveis de IgG sérica que protejam contra infecções sino-pulmonares e enterovirais. Vacinas de vírus vivos (como a VOP) são estritamente contraindicadas devido ao risco de replicação viral descontrolada e doença paralítica.
Durante os primeiros meses de vida, o recém-nascido está protegido pelos anticorpos IgG maternos que atravessaram a placenta durante o terceiro trimestre da gestação. À medida que esses anticorpos maternos são catabolizados (meia-vida de cerca de 21 a 30 dias), os níveis caem. Como a criança com Agamaglobulinemia ligada ao X não consegue produzir seus próprios anticorpos devido ao bloqueio na maturação dos linfócitos B, ela se torna vulnerável a infecções por patógenos encapsulados (S. pneumoniae, H. influenzae) a partir do segundo semestre de vida.
Um achado clínico clássico e muito cobrado em provas é a hipoplasia ou ausência de tecidos linfoides secundários que dependem de linfócitos B, como as tonsilas palatinas (amígdalas) e linfonodos periféricos. Mesmo na presença de infecções graves, essas estruturas permanecem pequenas ou impalpáveis, pois não há centros germinativos ativos.
O diagnóstico inicial é sugerido pela redução acentuada de todas as classes de imunoglobulinas (IgG, IgA, IgM). A citometria de fluxo de sangue periférico revela uma redução drástica ou ausência total de linfócitos B (CD19+ ou CD20+), enquanto os linfócitos T (CD3+) estão presentes em número normal. A confirmação definitiva é feita através de testes genéticos que identificam mutações no gene BTK.
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