FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Menino, 4 anos de idade, foi resgatado pelo pai da piscina de casa, segundo a família, com menos de 3 minutos de submersão. Recebeu compressões cardíacas e respiração boca a boca com retorno da consciência. Chega ao Pronto Socorro com Glasgow 14, FC = 140 bpm, FR = 30 mrm e Sat O₂ = 89%. Foi ofertado oxigênio em máscara com reservatório, chegando a Sat O₂ = 92%. O restante do exame está sem alterações, sem sinais de comprometimento neurológico. A conduta a ser realizada a seguir é:
Afogamento com hipóxia e taquicardia → Monitorização cardíaca e correção da hipovolemia são prioridades.
Em casos de afogamento, mesmo com retorno da consciência, a hipóxia e a instabilidade hemodinâmica são preocupações imediatas. A monitorização contínua e a correção da hipovolemia, que pode ocorrer devido a extravasamento capilar pulmonar, são essenciais para estabilizar o paciente e prevenir complicações.
O afogamento pediátrico é uma emergência grave e uma das principais causas de morte acidental em crianças. Mesmo com um tempo de submersão curto e retorno da consciência, a aspiração de água pode causar lesão pulmonar significativa, resultando em hipóxia e distúrbios hidroeletrolíticos. O manejo inicial foca na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABC). A fisiopatologia envolve a aspiração de água, que causa lesão direta aos pneumócitos, inativação do surfactante e edema pulmonar não cardiogênico, levando à hipoxemia. A hipovolemia pode se desenvolver devido ao extravasamento capilar. O paciente apresenta taquicardia e taquipneia como resposta compensatória à hipóxia e hipovolemia. O Glasgow 14 indica algum grau de comprometimento neurológico, mas a prioridade é a estabilização cardiorrespiratória. A conduta inicial inclui oxigenoterapia para corrigir a hipoxemia, monitorização contínua (cardíaca, oximetria de pulso, pressão arterial) e correção da hipovolemia com fluidos intravenosos. A intubação orotraqueal deve ser considerada se a hipoxemia persistir ou houver sinais de insuficiência respiratória. Todos os pacientes com qualquer sintoma após afogamento devem ser observados em ambiente hospitalar por pelo menos 24 horas devido ao risco de deterioração tardia.
As principais complicações do afogamento incluem hipóxia cerebral, edema pulmonar não cardiogênico, pneumonia por aspiração, distúrbios eletrolíticos e hipotermia.
A hipovolemia pode ocorrer devido ao extravasamento de fluidos do intravascular para o interstício pulmonar (edema pulmonar) e para o terceiro espaço, resultando em diminuição do volume circulante efetivo.
A intubação orotraqueal é indicada em pacientes com Glasgow < 8, hipoxemia refratária à oxigenoterapia com máscara, sinais de insuficiência respiratória grave ou incapacidade de proteger as vias aéreas.
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