FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020
Uma mulher de 76 anos com antecedentes de diabetes e hipertensão arterial foi trazida a emergência do Hospital de Base apresentando quadro súbito de hemiparesia desproporcionada a direita e dificuldade para falar. Um exame mais detalhado mostrou que ela era capaz de obedecer comando simples, mas era incapaz de nomear ou repetir o nome de objetos que lhe foram mostrados. Com base nesses dados podemos afirmar que a paciente apresentava:
Afasia motora (Broca) = compreensão preservada + dificuldade de expressão (fluência, nomeação, repetição).
A paciente apresenta compreensão de comandos preservada, mas dificuldade na expressão verbal (falar, nomear, repetir), o que é característico da afasia motora (de Broca), geralmente associada a lesões no lobo frontal esquerdo.
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade, frequentemente resultando em déficits neurológicos permanentes, incluindo distúrbios da linguagem. A avaliação rápida e precisa desses distúrbios é crucial para o diagnóstico topográfico da lesão e para o planejamento da reabilitação. As afasias são alterações da linguagem adquiridas devido a lesões cerebrais, geralmente no hemisfério dominante (esquerdo para a maioria das pessoas). O caso clínico descreve uma paciente com hemiparesia desproporcionada à direita (sugerindo lesão no hemisfério esquerdo) e dificuldade para falar. O ponto chave é que ela é "capaz de obedecer comando simples", indicando compreensão preservada, mas "incapaz de nomear ou repetir o nome de objetos". Essa combinação de compreensão preservada com dificuldade de expressão (fluência, nomeação, repetição) é o quadro clássico da afasia motora, também conhecida como afasia de Broca. A lesão geralmente se localiza no giro frontal inferior do hemisfério dominante. Em contraste, a afasia sensitiva (de Wernicke) se caracteriza por fala fluente, mas ininteligível (jargão), e grave comprometimento da compreensão. A disartria, por sua vez, é um distúrbio da articulação da fala, não da linguagem, onde a compreensão e a capacidade de formular pensamentos estão intactas, mas a produção física da fala é prejudicada. As disartrias hipocinéticas e hipofônicas são tipos específicos de disartria, frequentemente associadas a doenças como Parkinson, e não se encaixam no padrão de comprometimento da linguagem descrito. Portanto, a afasia motora é o diagnóstico mais adequado para o quadro da paciente.
A afasia motora é caracterizada por fala não fluente, com esforço, poucas palavras, dificuldade em nomear e repetir, mas com compreensão da linguagem geralmente preservada. A lesão típica é no giro frontal inferior esquerdo.
Na afasia sensitiva, a fala é fluente, mas sem sentido (jargão), e a compreensão da linguagem está gravemente comprometida. A repetição e nomeação também são afetadas. A lesão é no giro temporal superior esquerdo.
Afasia é um distúrbio da linguagem que afeta a capacidade de compreender ou expressar pensamentos e ideias. Disartria é um distúrbio da fala que afeta a articulação das palavras devido a fraqueza ou incoordenação dos músculos da fala, sem comprometimento da linguagem em si.
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