CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
Assinale a alternativa correta em relação à afacia congênita.
Afacia secundária = cristalino formado e reabsorvido (ex: Rubéola). Afacia primária = falha do placoide (rara).
A afacia congênita secundária ocorre quando o cristalino se desenvolve, mas sofre degeneração ou reabsorção in utero, frequentemente por insultos infecciosos como a rubéola.
A afacia congênita é a ausência do cristalino ao nascimento. A compreensão desta patologia exige conhecimento da embriologia ocular: o cristalino deriva do ectoderma superficial, que se espessa para formar o placoide sob influência da vesícula óptica. A interrupção deste processo define a afacia primária. A forma secundária é clinicamente mais relevante e frequentemente associada ao complexo TORCH, especialmente a rubéola. O vírus da rubéola tem tropismo pelo tecido cristaliniano, podendo causar desde cataratas densas até a reabsorção completa. O diagnóstico diferencial inclui a luxação traumática intrauterina ou a extrusão do cristalino. O manejo é complexo, envolvendo reabilitação visual precoce para evitar a ambliopia profunda.
A afacia congênita primária é uma condição extremamente rara que ocorre devido a uma falha na indução do placoide cristaliniano pela vesícula óptica durante a embriogênese (por volta da 3ª ou 4ª semana de gestação). Como o placoide não se forma, não há desenvolvimento da vesícula cristaliniana. Geralmente, está associada a outras malformações graves do segmento anterior do olho e mutações genéticas específicas, resultando em um olho severamente comprometido desde o início do desenvolvimento.
Na afacia secundária, o cristalino chega a se formar a partir do placoide cristaliniano, mas sofre um processo de degeneração, reabsorção ou expulsão através de uma úlcera de córnea perfurada ainda durante a vida intrauterina. A rubéola congênita é uma causa clássica; o vírus infecta as fibras do cristalino em desenvolvimento, levando à opacificação (catarata) e, em alguns casos, à liquefação e reabsorção total do material cristaliniano, deixando o olho afácico ao nascimento.
A diferença reside no estágio da interrupção do desenvolvimento. Na afacia primária, o erro é precoce e impede a formação do placoide cristaliniano (ausência de indução). Na afacia secundária, o placoide se forma e se invagina para criar a vesícula cristaliniana, mas processos subsequentes (inflamatórios, infecciosos ou mecânicos) destroem o cristalino já existente. Portanto, a presença de remanescentes capsulares ou evidência de desenvolvimento prévio do cristalino aponta para a forma secundária.
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