Adrenarca Precoce: Como Diferenciar da Puberdade Precoce

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina de 7 anos está em avaliação médica devido à queixa de puberdade precoce. Ao exame encontra-se no z-escore +1,5 para a altura e +2,4 para IMC. Tanner M1P2. Idade óssea 7 anos e 10 meses. Velocidade de crescimento do último ano 5 cm. Altura alvo +1,0. Sobre a investigação adicional e conduta para esta paciente, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Solicitar LH, FSH, estradiol, 17-OH progesterona e DHEA-S. Caso LH esteja em níveis púberes o bloqueio puberal está indicado.
  2. B) Solicitar US pélvico, LH, FSH e estradiol. Considerando a idade da criança na apresentação, é improvável indicação de tratamento específico.
  3. C) Solicitar 17-OH progesterona, DHEA-S, glicemia, perfil lipídico e TGP. Alta probabilidade de variante benigna da puberdade.
  4. D) Solicitar LH, FSH e estradiol. Caso LH esteja em níveis púberes, solicitar RNM de encéfalo antes de indicar bloqueio puberal.
  5. E) Solicitar 17-OH progesterona, DHEA-S, androstenediona e testosterona total. Caso 17-OH progesterona alterada, solicitar TC de abdome.

Pérola Clínica

Pelos pubianos (P2) sem desenvolvimento mamário (M1) com idade óssea e velocidade de crescimento normais → Adrenarca precoce, uma variante benigna.

Resumo-Chave

A pubarca precoce isolada (adrenarca) é causada pela maturação das glândulas adrenais, não pela ativação do eixo puberal central. A chave para o diagnóstico é a ausência de telarca (desenvolvimento mamário) e a ausência de aceleração do crescimento ou da idade óssea, indicando que não há exposição significativa a estrogênios.

Contexto Educacional

A puberdade precoce é definida pelo surgimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos em meninas e dos 9 anos em meninos. No entanto, existem variantes benignas do desenvolvimento puberal que não representam uma ativação patológica do eixo hormonal e não requerem tratamento, como a telarca precoce isolada e a adrenarca precoce isolada. A adrenarca precoce, ou pubarca precoce isolada, é caracterizada pelo aparecimento de pelos pubianos e/ou axilares, odor axilar e pele oleosa, devido à maturação da zona reticular da glândula adrenal e consequente produção de andrógenos fracos, como o DHEA-S. Crucialmente, este processo ocorre de forma independente da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Portanto, não há produção de estrogênio, o que se reflete clinicamente na ausência de desenvolvimento mamário (telarca) e na ausência de aceleração da velocidade de crescimento e da maturação óssea. O caso descrito (M1P2, velocidade de crescimento e idade óssea normais) é a apresentação clássica. O principal diagnóstico diferencial a ser excluído é a forma não clássica de hiperplasia adrenal congênita (HAC-NC), que também cursa com excesso de andrógenos adrenais. Por isso, a investigação inicial inclui a dosagem de 17-OH progesterona e DHEA-S. Uma vez descartada a HAC-NC, o diagnóstico de adrenarca precoce benigna é confirmado, e a conduta é o acompanhamento clínico periódico, sem necessidade de bloqueio puberal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta que indicam uma puberdade precoce patológica em vez de uma variante benigna?

Sinais de alerta incluem o desenvolvimento mamário (telarca) antes dos 8 anos, aceleração da velocidade de crescimento (> 6 cm/ano na idade pré-puberal) e um avanço significativo da idade óssea (> 2 anos em relação à idade cronológica). A presença de telarca associada à pubarca indica ativação do eixo central.

Por que se solicita a 17-OH progesterona na investigação de pubarca precoce isolada?

Solicita-se a 17-hidroxiprogesterona para descartar a forma não clássica de Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC-NC), o principal diagnóstico diferencial patológico. A HAC-NC causa produção excessiva de andrógenos adrenais, mimetizando clinicamente a adrenarca precoce.

Qual a conduta e o prognóstico para uma criança com adrenarca precoce benigna?

A conduta é expectante, com acompanhamento clínico do crescimento e do desenvolvimento puberal a cada 6-12 meses. O prognóstico é excelente, mas é importante orientar a família sobre a benignidade do quadro e monitorar, pois há uma associação descrita com maior risco de síndrome dos ovários policísticos e síndrome metabólica na vida adulta.

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