UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Menina de 7 anos está em avaliação médica devido à queixa de puberdade precoce. Ao exame encontra-se no z-escore +1,5 para a altura e +2,4 para IMC. Tanner M1P2. Idade óssea 7 anos e 10 meses. Velocidade de crescimento do último ano 5 cm. Altura alvo +1,0. Sobre a investigação adicional e conduta para esta paciente, assinale a alternativa correta:
Pelos pubianos (P2) sem desenvolvimento mamário (M1) com idade óssea e velocidade de crescimento normais → Adrenarca precoce, uma variante benigna.
A pubarca precoce isolada (adrenarca) é causada pela maturação das glândulas adrenais, não pela ativação do eixo puberal central. A chave para o diagnóstico é a ausência de telarca (desenvolvimento mamário) e a ausência de aceleração do crescimento ou da idade óssea, indicando que não há exposição significativa a estrogênios.
A puberdade precoce é definida pelo surgimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos em meninas e dos 9 anos em meninos. No entanto, existem variantes benignas do desenvolvimento puberal que não representam uma ativação patológica do eixo hormonal e não requerem tratamento, como a telarca precoce isolada e a adrenarca precoce isolada. A adrenarca precoce, ou pubarca precoce isolada, é caracterizada pelo aparecimento de pelos pubianos e/ou axilares, odor axilar e pele oleosa, devido à maturação da zona reticular da glândula adrenal e consequente produção de andrógenos fracos, como o DHEA-S. Crucialmente, este processo ocorre de forma independente da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Portanto, não há produção de estrogênio, o que se reflete clinicamente na ausência de desenvolvimento mamário (telarca) e na ausência de aceleração da velocidade de crescimento e da maturação óssea. O caso descrito (M1P2, velocidade de crescimento e idade óssea normais) é a apresentação clássica. O principal diagnóstico diferencial a ser excluído é a forma não clássica de hiperplasia adrenal congênita (HAC-NC), que também cursa com excesso de andrógenos adrenais. Por isso, a investigação inicial inclui a dosagem de 17-OH progesterona e DHEA-S. Uma vez descartada a HAC-NC, o diagnóstico de adrenarca precoce benigna é confirmado, e a conduta é o acompanhamento clínico periódico, sem necessidade de bloqueio puberal.
Sinais de alerta incluem o desenvolvimento mamário (telarca) antes dos 8 anos, aceleração da velocidade de crescimento (> 6 cm/ano na idade pré-puberal) e um avanço significativo da idade óssea (> 2 anos em relação à idade cronológica). A presença de telarca associada à pubarca indica ativação do eixo central.
Solicita-se a 17-hidroxiprogesterona para descartar a forma não clássica de Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC-NC), o principal diagnóstico diferencial patológico. A HAC-NC causa produção excessiva de andrógenos adrenais, mimetizando clinicamente a adrenarca precoce.
A conduta é expectante, com acompanhamento clínico do crescimento e do desenvolvimento puberal a cada 6-12 meses. O prognóstico é excelente, mas é importante orientar a família sobre a benignidade do quadro e monitorar, pois há uma associação descrita com maior risco de síndrome dos ovários policísticos e síndrome metabólica na vida adulta.
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