HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
Um adolescente de doze anos de idade, faz tratamento, há três meses, no ambulatório de asma. Desde o início do tratamento, foram prescritos formoterol e budesonida (12/400 mcg), uma inalação a cada 12 h. No momento, encontra-se em consulta de retorno e refere que teve três crises no último mês, que apresenta limitação contínua à atividade física e que desperta à noite quase que diariamente por asma. Exame físico dentro da normalidade, FC de 88 bpm, FR de 24 irpm, SaO₂ de 97%, 56 kg de peso e 145 cm de altura.Com base nesse caso hipotético, julgue o item.Ele apresenta asma grave não controlada.
Sintomas noturnos + limitação física + crises frequentes sob dose alta = Asma não controlada.
A asma é classificada como grave quando exige tratamento de alta intensidade (Etapa 4 ou 5 do GINA) para permanecer controlada ou quando permanece não controlada apesar dessa terapia.
O manejo da asma em adolescentes exige uma compreensão clara da diferença entre gravidade e controle. A gravidade é uma propriedade intrínseca da doença refletida pelo nível de tratamento necessário, enquanto o controle reflete a eficácia da terapia atual. O caso ilustra um paciente em Step 4 (dose alta de CEI + LABA) que mantém sintomas limitantes e despertares noturnos, preenchendo os critérios para asma grave não controlada. Este cenário requer vigilância rigorosa para evitar exacerbações fatais e garantir a qualidade de vida do jovem.
Segundo o GINA, o controle da asma é avaliado em dois domínios: controle atual dos sintomas e risco futuro de desfechos desfavoráveis. A asma é considerada não controlada se o paciente apresentar, nas últimas 4 semanas: sintomas diurnos > 2x/semana, qualquer despertar noturno por asma, necessidade de medicação de resgate > 2x/semana ou qualquer limitação de atividade física devido à doença. O paciente do caso apresenta múltiplos critérios de descontrole.
A asma grave é um subgrupo da asma de difícil controle. É definida como a asma que requer tratamento com corticosteroides inalatórios (CEI) em doses altas combinados com um segundo controlador (geralmente LABA) para evitar que se torne 'não controlada', ou asma que permanece 'não controlada' apesar deste tratamento otimizado. No caso, o uso de Budesonida 400mcg + Formoterol 12mcg BID já configura um tratamento de alta intensidade.
Antes de escalonar o tratamento para a Etapa 5 (biológicos ou CE oral), é imperativo verificar: 1) Técnica inalatória correta; 2) Adesão ao tratamento; 3) Comorbidades não tratadas (ex: rinite, DRGE, obesidade); 4) Exposição contínua a gatilhos ambientais. Se todos esses fatores forem otimizados e o descontrole persistir, o paciente deve ser encaminhado a um centro especializado para fenotipagem e terapias adjuvantes.
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