Eclâmpsia: Diagnóstico e Tratamento Urgente

CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2015

Enunciado

É admitida no pronto-socorro uma primigesta com 17 anos, desacordada após quadro compatível com crise convulsiva tônico-clônica generalizada. Ao voltar a si, estava confusa e desorientada. PA= 150/100mmHg. FC= 80 batimentos/min., altura uterina = 30cm, foco presente e rítmico. Pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável é eclâmpsia e o tratamento com sulfato de magnésio deve ser instituído imediatamente na dosagem de 4g a 6g EV para dose de ataque.
  2. B) O diagnóstico mais provável é eclâmpsia, mas não se pode afastar a possibilidade de epilepsia e, portanto, o tratamento anticonvulsivante de escolha é a hidantalização.
  3. C) Deve-se pensar em overdose de cocaína que mimetiza em tudo a eclâmpsia, exceto a hipertensão arterial.
  4. D) Não se pode caracterizar o quadro como sendo de eclâmpsia, pois a informação foi fornecida por outra pessoa que pode ter assistido a um episódio de histeria de conversão.
  5. E) A primeira hipótese é de epilepsia, pois não há informação da paciente já ter apresentado hipertensão arterial.

Pérola Clínica

Gestante > 20 semanas com crise convulsiva + hipertensão = Eclâmpsia até prova em contrário. Tto: Sulfato de Magnésio (4-6g EV ataque).

Resumo-Chave

Uma primigesta com 17 anos, apresentando crise convulsiva tônico-clônica generalizada e hipertensão arterial (PA= 150/100mmHg) após a 20ª semana de gestação (altura uterina de 30cm indica aproximadamente 30 semanas), tem como diagnóstico mais provável a eclâmpsia. O sulfato de magnésio é a droga de escolha para o tratamento e prevenção de convulsões na eclâmpsia, com dose de ataque de 4g a 6g EV.

Contexto Educacional

A eclâmpsia é uma complicação grave da gravidez, caracterizada por convulsões tônico-clônicas generalizadas em mulheres com pré-eclâmpsia. É uma emergência obstétrica que pode ocorrer após a 20ª semana de gestação, durante o parto ou no puerpério. Sua importância reside na alta morbimortalidade materna e fetal se não for prontamente diagnosticada e tratada, sendo um dos principais desafios para residentes em obstetrícia e emergência. A fisiopatologia da eclâmpsia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoconstrição e isquemia cerebral, levando às convulsões. O diagnóstico é clínico, baseado na ocorrência de convulsões em uma gestante com hipertensão e outros sinais de pré-eclâmpsia. A suspeita deve ser alta em qualquer gestante hipertensa que apresente convulsão, especialmente se não houver histórico prévio de epilepsia. A altura uterina de 30cm indica uma gestação avançada, compatível com o quadro. O tratamento da eclâmpsia é prioritário e visa controlar as convulsões, prevenir recorrências e estabilizar a paciente. O sulfato de magnésio é a droga de primeira linha, administrado em dose de ataque intravenosa (4-6g) seguida de manutenção. Além disso, é fundamental controlar a pressão arterial e considerar a interrupção da gestação após a estabilização materna. O manejo rápido e eficaz é crucial para melhorar o prognóstico materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para eclâmpsia?

Eclâmpsia é definida pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma mulher com pré-eclâmpsia, ou seja, hipertensão e proteinúria (ou sinais de disfunção orgânica) após 20 semanas de gestação, no parto ou até 6 semanas pós-parto, na ausência de outras causas de convulsão.

Por que o sulfato de magnésio é o tratamento de escolha para eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha na eclâmpsia por sua eficácia comprovada na prevenção e controle das convulsões, além de ter um perfil de segurança favorável. Ele atua como um depressor do sistema nervoso central e vasodilatador.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais de convulsão na gestação?

Além da eclâmpsia, outras causas de convulsão em gestantes incluem epilepsia preexistente, acidente vascular cerebral (isquêmico ou hemorrágico), trombose de seio venoso cerebral, hipoglicemia, intoxicações (ex: cocaína) e outras condições neurológicas. A história clínica e exames complementares ajudam na diferenciação.

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