Otimização da Polifarmácia em Idosos: Melhore a Adesão

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2019

Enunciado

Paulo, MFC, chama Dona Joana, de 74 anos, para o primeiro atendimento dela nno Centro de Saúde. Ela vem para uma consulta de rotina, acompanhada da filha, com quem veio morar recentemente, há umas 2 semanas. Precisa renovar as receitas dos seus medicamentos. Tem hipertensão, diabetes e queixa-se de incontinência urinaria de esforço. Na sua ultima receita constam Captopril 25 mg 3 vezes ao dia, Hidroclorotiazida 25 mg pela manhã e Metformina 850 mg 3 vezes ao dia. Ela diz que a dose do comprimido grande do diabetes foi aumentada de 2 para 3 comprimidos ao dia ultima consulta, mas ela tem tomado apenas 1 ou 2 comprimidos, pois sente dores abdominais e flautulência com o uso. Também conta que a pressão estava se mantendo alterada e foi acrescentando o diurético, mas deixa de tomar quando sai de casa, pois faz ela urinar mais e piora seu escape de urina. Onde ela morava antes, gostava de participar dos grupos de idosos e de mulheres e saia de casa com freqüencia pelo menos4 vezes por semana. Questionada sobre o uso de Captopril, diz que toma junto com o café da manhã e na janta, mas costuma esquecer o do horário do almoço. Entende que é importante tratar a pressão alta e o diabetes, pois sua mãe morreu de complicações destas doenças. No entanto, não gosta de tomar muitos comprimidos por dia e diz que não tinha muita confiança no médico que lhe acompanhava antes. Agora, mostra-se animada, pois a filha falou muito bem do Dr. Paulo. Ao exame, a PA estava 150x100 mmHg (diz que as medidas previas vinham se mantendo em torno dese valor) e tinha exames laboratoriais realizados há 6 meses: hemoglobina glicosilada 8,2%, glicemia 178 mg/dL, exame qualitativo de urina normal, creatinina 0,8 mg/dL, colesterol total 180mg/dL, HDL 48 mg/dL, triglicerídeos 185 mg/dL. Ao final da consulta Paulo reforça a importância da adesão ao tratamento, explica sobre os medicamentos e medidas não farmacológicas e pede a opinião da filha. A proposta de adequação na terapia farmacológica a ser compartilhada com Dona Joana, visando melhorar a sua adesão ao tratamento, seria inicialmente: 

Alternativas

  1. A) Trocar captopril por enalapril na dose de 1 comprimido de 20 mg pela manhã, suspender hidrociorotiazida e substituir metformina 850 mg por 2 comprimidos de 500 mg de ação prolongada na janta;
  2. B) Ajustar a dose de captopril para 2 comprimidos de 25 mg no café da manhã e na janta, diminuir hidroclorotiazida para ½ (meio comprimido) pela manhã e deixar 1 comprimido de metformina 850 mg de manhã e na janta;
  3. C) Trocar captopril por enalapril na dose de 1 comprimido de 20 mg pela manhã , diminuir hidroclorotiaziada para ½ (meio comprimido) pela manhã e deixar 1 comprimido de metformina 850 mg no café da manhã e na janta;
  4. D) Ajustar dose de captopril para 2 comprimidos de 25 mg no café da manhã e na janta, suspender hidroclorotiazida e trocar metformina 850 mg por 2 comprimidos de 500 mg de ação prolongada na janta; 
  5. E) Nenhuma das respostas está correta;

Pérola Clínica

Polifarmácia em idosos: simplificar posologia, considerar efeitos adversos (ex: diurético e IU), e otimizar adesão.

Resumo-Chave

Ajustar a terapia farmacológica em idosos requer considerar a polifarmácia, os efeitos adversos (como a piora da incontinência urinária com diuréticos) e a complexidade da posologia para melhorar a adesão. Trocar medicamentos de múltiplas doses diárias por uma única dose e substituir formulações que causam efeitos colaterais por outras com melhor tolerabilidade são estratégias chave.

Contexto Educacional

A polifarmácia é um desafio comum na geriatria, impactando diretamente a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes idosos. A avaliação cuidadosa dos medicamentos em uso, seus efeitos adversos e a complexidade da posologia são cruciais para otimizar o manejo de condições crônicas como hipertensão e diabetes. A falta de adesão pode levar ao descontrole das doenças e ao aumento do risco de complicações, sendo um fator de morbimortalidade significativo nesta população. No caso de Dona Joana, a hipertensão e o diabetes estão descontrolados, evidenciados pela PA elevada e HbA1c de 8,2%. A não adesão aos medicamentos é multifatorial, incluindo efeitos gastrointestinais da metformina, piora da incontinência urinária com a hidroclorotiazida e uma posologia complexa do captopril. A intervenção deve focar em simplificar o esquema terapêutico, substituir medicamentos com efeitos adversos intoleráveis e fortalecer a relação médico-paciente para aumentar a confiança e a adesão. A proposta de trocar captopril por enalapril (dose única), suspender hidroclorotiazida (pela IU) e substituir metformina convencional por XR (melhor tolerabilidade e dose única) é uma estratégia racional. Essa abordagem não só visa o controle das doenças, mas também melhora a qualidade de vida da paciente, permitindo que ela mantenha suas atividades sociais sem o constrangimento da incontinência ou o desconforto gastrointestinal, promovendo uma adesão mais sustentável ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que afetam a adesão medicamentosa em idosos?

Os principais fatores incluem a polifarmácia, a complexidade da posologia (múltiplas doses diárias), os efeitos adversos dos medicamentos, a falta de compreensão sobre a doença e o tratamento, e a relação de confiança com o profissional de saúde.

Como a incontinência urinária pode influenciar a escolha de anti-hipertensivos em idosos?

Diuréticos, como a hidroclorotiazida, podem exacerbar a incontinência urinária, especialmente a de esforço, em idosos. Nesses casos, é preferível considerar a redução da dose ou a substituição por outras classes de anti-hipertensivos que não aumentem a diurese, como inibidores da ECA ou bloqueadores dos canais de cálcio.

Qual a vantagem da metformina de liberação prolongada em relação à formulação convencional?

A metformina de liberação prolongada (XR) é geralmente associada a uma menor incidência de efeitos gastrointestinais, como dor abdominal e flatulência, e permite uma posologia de dose única diária, o que pode melhorar significativamente a adesão do paciente.

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