Adesão ao Tratamento na Hipertensão: Entenda as Barreiras

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 63 anos foi diagnosticada com hipertensão há três anos e recebe acompanhamento regular em sua Unidade Básica de Saúde. Recentemente, ela apresentou complicações devido à falta de adesão ao tratamento. Durante uma visita domiciliar realizada por um agente comunitário de saúde, foi observado que a paciente não estava tomando os medicamentos regularmente, além de não seguir as orientações de controle alimentar. Com base no princípio da orientação às necessidades de saúde, a conduta mais adequada a ser adotada é:

Alternativas

  1. A) Instruir a paciente a seguir rigorosamente as orientações nutricionais, mesmo que ela não esteja segura para total aderência ao tratamento medicamentoso.
  2. B) Reforçar que a paciente siga estritamente as recomendações do tratamento prescrito, a fim de evitar qualquer variação nos resultados esperados.
  3. C) Elaborar um diagnóstico das concepções de saúde da paciente e de suas preocupações e/ou desinformações com relação ao uso dos medicamentos prescritos.
  4. D) Intensificar o acompanhamento médico para revisar a prescrição de medicamentos, não havendo critérios para mobilizar os profissionais da equipe interdisciplinar.
  5. E) Recomendar à paciente que troque o tratamento medicamentoso por alternativas naturais e terapias complementares, reduzindo os riscos associados ao uso de fármacos.

Pérola Clínica

Falta de adesão ao tratamento → investigar concepções e barreiras do paciente para um plano de cuidado efetivo.

Resumo-Chave

A não adesão ao tratamento é multifatorial. Antes de reforçar a prescrição, é crucial entender a perspectiva do paciente, suas crenças, medos e dificuldades, para então construir um plano terapêutico compartilhado e mais eficaz, conforme o princípio da orientação às necessidades.

Contexto Educacional

A adesão ao tratamento é um pilar fundamental para o sucesso terapêutico, especialmente em doenças crônicas como a hipertensão arterial sistêmica. A não adesão, que pode ser primária (nunca iniciar) ou secundária (interromper ou não seguir corretamente), é um desafio global que impacta diretamente a morbidade, mortalidade e os custos em saúde. Compreender os fatores que influenciam a adesão é crucial para a prática médica e para a saúde pública. A abordagem da não adesão deve ir além da simples repreensão ou do reforço da prescrição. É essencial que o profissional de saúde, muitas vezes com o apoio do Agente Comunitário de Saúde, realize um diagnóstico das concepções do paciente sobre sua doença e tratamento. Isso inclui investigar suas crenças, medos, desinformações, expectativas e dificuldades práticas, como acesso a medicamentos ou horários. Ao entender a perspectiva do paciente, a equipe de saúde pode desenvolver estratégias personalizadas, como educação em saúde adaptada, simplificação do regime terapêutico, manejo de efeitos adversos e apoio psicossocial. Essa abordagem, centrada nas necessidades do paciente, não só melhora a adesão, mas também fortalece o vínculo terapêutico e promove a autonomia do indivíduo em seu processo de cuidado.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas da não adesão ao tratamento medicamentoso?

As causas são multifatoriais, incluindo falta de compreensão da doença e tratamento, efeitos colaterais, custo, esquecimento, crenças pessoais e barreiras socioeconômicas.

Como o Agente Comunitário de Saúde (ACS) pode auxiliar na adesão ao tratamento?

O ACS atua como elo entre a equipe de saúde e a comunidade, identificando barreiras, fornecendo informações claras, reforçando orientações e estimulando a participação do paciente no seu cuidado.

Qual a importância do cuidado centrado no paciente para a adesão terapêutica?

O cuidado centrado no paciente reconhece a individualidade, valores e preferências do paciente, promovendo uma relação de confiança e parceria que aumenta significativamente a probabilidade de adesão ao plano terapêutico.

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