SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2022
Mulher de 45 anos, negra, soropositiva para HIV, iniciou terapia antirretroviral em 2019. Seis meses depois, abandonou o tratamento. Em 2020, procurou a UBS, com febre e tosse produtiva há um mês, emagrecida e com lesões pruriginosas. Questionada sobre o abandono, relata que os remédios a faziam mal: “Eu me sentia doente por causa deles e tenho fé que já estou curada”. Com base no caso e na aplicação da competência cultural na adesão ao tratamento, é correto afirmar que:
Crenças pessoais sobre doença/cura influenciam adesão ao TARV, exigindo abordagem culturalmente competente.
A não adesão ao tratamento antirretroviral (TARV) é um problema complexo, frequentemente influenciado por crenças pessoais do paciente sobre a doença, o tratamento e a cura, bem como por efeitos adversos percebidos. A competência cultural em saúde é essencial para compreender essas perspectivas e desenvolver estratégias de comunicação e manejo que promovam a adesão.
A adesão à Terapia Antirretroviral (TARV) é um pilar fundamental no manejo do HIV, impactando diretamente a carga viral, a contagem de CD4 e a prevenção de infecções oportunistas. No entanto, a não adesão é um desafio complexo e multifatorial, frequentemente influenciado por fatores psicossociais, socioeconômicos e culturais, como as crenças pessoais sobre a doença e o tratamento, exemplificado pela paciente que acredita estar "curada pela fé". A competência cultural em saúde é essencial para abordar esses desafios. Ela envolve a capacidade do profissional de saúde de compreender e respeitar as perspectivas culturais dos pacientes, incluindo suas crenças sobre saúde, doença, cura e o papel da medicina. Ignorar essas crenças pode levar a falhas na comunicação e na construção de um plano terapêutico eficaz, resultando em abandono do tratamento e piora clínica. Para promover a adesão, é crucial estabelecer uma relação de confiança, ouvir ativamente o paciente, validar suas preocupações e crenças, e negociar um plano de tratamento que seja culturalmente sensível e viável. A educação em saúde deve ser adaptada, abordando mitos e desinformação de forma respeitosa, e reforçando a importância da TARV contínua para a manutenção da saúde e prevenção de complicações, como as infecções oportunistas que a paciente apresenta.
Crenças como a negação da doença, a fé na cura espiritual ou o medo dos efeitos adversos dos medicamentos podem levar o paciente a abandonar a terapia, comprometendo a eficácia do tratamento e a saúde.
Competência cultural é a capacidade do profissional de saúde de entender e respeitar as crenças, valores e práticas culturais do paciente. No HIV, é crucial para construir confiança, adaptar a comunicação e desenvolver planos de tratamento que considerem o contexto cultural do indivíduo, melhorando a adesão.
A não adesão à TARV pode levar à falha virológica, desenvolvimento de resistência aos medicamentos, progressão da doença, surgimento de infecções oportunistas (como tuberculose, no caso) e aumento da morbimortalidade.
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