Má Adesão Terapêutica: Abordagem Centrada no Paciente

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

João, diabético e hipertenso, vem sempre à consulta médica com a glicemia elevada. Não toma os medicamentos da forma prescrita e não segue as orientações alimentares. Assinale a alternativa que apresenta a melhor abordagem para lidar com o paciente que tem dificuldades de adesão terapêutica:

Alternativas

  1. A) orientar sobre os riscos para sua saúde se não fizer o tratamento correto e tentar fazer que ele mude a partir do medo de desenvolver complicações
  2. B) se o paciente não seguir as condutas indicadas, melhor encaminhá-lo a outro profissional médico
  3. C) aumentar a medicação e orientar sobre como tomá-la
  4. D) entender a dificuldade e construir um plano terapêutico conjunto
  5. E) chamar a família e orientá-la a dar a medicação conforme prescrito

Pérola Clínica

Má adesão terapêutica → entender dificuldades do paciente e construir plano conjunto, promovendo autonomia e corresponsabilidade.

Resumo-Chave

A má adesão terapêutica é multifatorial. A melhor abordagem é empática, buscando compreender as barreiras do paciente e co-construir um plano de cuidados que seja realista e alinhado com suas necessidades e possibilidades.

Contexto Educacional

A má adesão terapêutica é um desafio comum e complexo no manejo de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Ela não se resume à "falta de vontade" do paciente, mas é influenciada por uma miríade de fatores, incluindo aspectos socioeconômicos, culturais, crenças pessoais, complexidade do tratamento, efeitos adversos e a própria relação com a equipe de saúde. A abordagem mais eficaz para lidar com a má adesão é centrada no paciente, buscando compreender suas dificuldades e perspectivas. Isso envolve uma escuta ativa, empática e sem julgamentos, utilizando técnicas como a entrevista motivacional para explorar as barreiras e facilitadores da adesão. O objetivo é co-construir um plano terapêutico que seja realista, viável e alinhado com os valores e possibilidades do paciente, promovendo sua autonomia e corresponsabilidade. Para residentes, desenvolver habilidades de comunicação e negociação é crucial. Aumentar a medicação sem entender o motivo da não adesão, ameaçar com complicações ou delegar a responsabilidade à família são abordagens ineficazes que podem prejudicar ainda mais a relação médico-paciente e a adesão a longo prazo. O foco deve ser sempre na parceria e no empoderamento do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais fatores podem influenciar a má adesão terapêutica em pacientes crônicos?

Fatores incluem complexidade do regime medicamentoso, efeitos colaterais, custo, falta de compreensão da doença, crenças pessoais, barreiras socioeconômicas e falta de suporte social.

Como a entrevista motivacional pode auxiliar na adesão terapêutica?

A entrevista motivacional é uma abordagem colaborativa que ajuda o paciente a explorar e resolver sua ambivalência em relação à mudança, fortalecendo sua motivação intrínseca para aderir ao tratamento.

Por que é importante construir um plano terapêutico conjunto com o paciente?

Construir um plano conjunto aumenta o senso de autonomia e corresponsabilidade do paciente, tornando o tratamento mais realista e adaptado à sua rotina, o que melhora significativamente a adesão e os resultados.

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