Derrame Pleural Exsudativo: Papel da ADA no Diagnóstico

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 32 anos, sem comorbidades e não tabagista, foi internado para investigação de dispneia aos esforços, de início há três meses. Paciente nega febre ou perda ponderal e sua radiografia de tórax evidencia derrame pleural moderado à direita, sem alterações de parênquima pulmonar. Os exames laboratoriais revelam hemoglobina de 13g/dL, leucócitos de 5.800células/mm³, plaquetas de 280.000/mm³, proteínas totais de 7,2g/dL e desidrogenase lática de 580UI/L. A análise do líquido pleural do paciente apresenta celularidade de 2.500células/mm³, com 90% de mononucleares, proteínas de 3,2g/dL, desidrogenase lática de 400UI/L e glicose de 80mg/dL. Considerando a principal hipótese, o exame do líquido pleural com maior probabilidade de contribuir para o diagnóstico etiológico é:

Alternativas

  1. A) peptídeo natriurético cerebral
  2. B) adenosina deaminase
  3. C) citologia oncótica
  4. D) fator reumatoide

Pérola Clínica

Derrame pleural exsudativo + predomínio mononuclear + paciente jovem em área endêmica → ADA pleural para TB.

Resumo-Chave

O perfil do líquido pleural (exsudato, predomínio mononuclear, glicose normal) em um paciente jovem com derrame pleural unilateral sem alterações parenquimatosas é altamente sugestivo de tuberculose pleural. Nesses casos, a dosagem da adenosina deaminase (ADA) no líquido pleural é o exame com maior probabilidade de confirmar a etiologia.

Contexto Educacional

A investigação de um derrame pleural é um desafio diagnóstico, exigindo uma análise cuidadosa do líquido pleural e do contexto clínico. O caso apresentado descreve um paciente jovem com derrame pleural exsudativo (proteínas 3,2g/dL, LDH 400UI/L, celularidade 2.500), com predomínio de mononucleares (90%) e glicose normal. Este perfil é altamente sugestivo de tuberculose pleural, especialmente em um paciente sem comorbidades e sem alterações parenquimatosas na radiografia. A adenosina deaminase (ADA) é uma enzima liberada por linfócitos ativados e é um marcador bioquímico de grande valor para o diagnóstico de tuberculose pleural. Níveis elevados de ADA no líquido pleural (geralmente > 40-60 U/L) apresentam alta sensibilidade e especificidade para essa condição, tornando-a o exame com maior probabilidade de contribuir para o diagnóstico etiológico nesse cenário clínico. Embora outros exames como citologia oncótica (para neoplasias) ou fator reumatoide (para doenças autoimunes) possam ser úteis em outros contextos, a forte suspeita de tuberculose, baseada no perfil do líquido pleural e na epidemiologia, direciona a investigação para a ADA. O peptídeo natriurético cerebral (BNP) seria mais relevante em derrames transudativos de origem cardíaca.

Perguntas Frequentes

Quais características do líquido pleural sugerem um exsudato?

Um exsudato é sugerido por proteínas pleurais > 3,0 g/dL ou relação proteína pleural/sérica > 0,5, e LDH pleural > 2/3 do limite superior do LDH sérico normal ou relação LDH pleural/sérica > 0,6.

Por que a adenosina deaminase (ADA) é importante no diagnóstico de tuberculose pleural?

A ADA é uma enzima liberada por linfócitos ativados na resposta imune celular contra o Mycobacterium tuberculosis. Níveis elevados de ADA no líquido pleural são um forte indicador de tuberculose pleural, com alta sensibilidade e especificidade.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais de derrame pleural exsudativo com predomínio mononuclear?

Além da tuberculose, os principais diagnósticos diferenciais incluem neoplasias (primárias ou metastáticas), doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide), embolia pulmonar e derrames virais.

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