Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2024
Mulher de 46 anos refere que os fluxos menstruais aumentaram muito em quantidade e duração nos últimos meses, mas não se queixa de dor. É gesta 3 para 3, e realizou laqueadura tubárea no último parto. O exame ultrassom evidenciou útero de 156 cm3 e presença de cistos miometriais. A patologia mais provável neste caso é:
Útero aumentado + menorragia + cistos miometriais no USG + multiparidade → Adenomiose provável.
A adenomiose é caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico dentro do miométrio, causando aumento do útero, sangramento uterino anormal (menorragia) e, frequentemente, dismenorreia. A ultrassonografia com achados como útero globoso e cistos miometriais (áreas hipoecoicas ou anecoicas) é altamente sugestiva, especialmente em mulheres multíparas.
A adenomiose é uma condição ginecológica benigna caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometriais dentro do miométrio, a camada muscular do útero. Essa invasão do tecido endometrial leva a uma hiperplasia e hipertrofia do miométrio circundante, resultando em um útero aumentado e globoso. A prevalência da adenomiose é variável, mas é frequentemente diagnosticada em mulheres multíparas na perimenopausa, embora possa ocorrer em qualquer idade reprodutiva. É uma causa comum de sangramento uterino anormal e dor pélvica, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. A fisiopatologia da adenomiose não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma ruptura da junção endométrio-miometrial, permitindo a invasão do tecido endometrial. Os sintomas clássicos incluem menorragia (sangramento menstrual excessivo e prolongado) e dismenorreia (cólicas menstruais intensas), que tendem a ser progressivas. No caso apresentado, a mulher refere aumento da quantidade e duração dos fluxos menstruais, sem dor, o que é compatível com a menorragia da adenomiose. A multiparidade (gesta 3 para 3) é um fator de risco conhecido. O diagnóstico da adenomiose é primariamente clínico e ultrassonográfico. A ultrassonografia transvaginal pode revelar um útero aumentado (como 156 cm³ no caso), de formato globoso, com espessamento assimétrico do miométrio e a presença de cistos miometriais (pequenas áreas anecoicas ou hipoecoicas dentro do miométrio). A ressonância magnética pélvica é um exame mais sensível e específico, mas geralmente reservado para casos duvidosos. A miomatose uterina, embora também cause útero aumentado e sangramento, geralmente se manifesta com nódulos bem definidos (miomas), diferentemente do padrão difuso da adenomiose. Endometriose e carcinomatose são diagnósticos diferenciais, mas os achados ultrassonográficos e o quadro clínico se encaixam melhor na adenomiose.
Os principais sintomas da adenomiose incluem sangramento uterino anormal, geralmente menorragia (fluxos menstruais abundantes e prolongados), e dismenorreia (cólicas menstruais intensas), que tendem a piorar com o tempo. O útero pode estar aumentado e doloroso à palpação.
O ultrassom transvaginal é a principal ferramenta diagnóstica. Ele pode evidenciar um útero globoso e aumentado, espessamento assimétrico do miométrio, áreas hipoecoicas ou anecoicas (cistos miometriais), estrias ecogênicas e vascularização heterogênea. A ressonância magnética pode ser usada para casos mais complexos.
Ambas envolvem tecido endometrial ectópico. Na adenomiose, o tecido endometrial está dentro do miométrio (parede muscular do útero), causando aumento uterino e dismenorreia/menorragia. Na endometriose, o tecido endometrial está fora do útero, em outros órgãos pélvicos ou distantes, causando dor pélvica crônica, dismenorreia e infertilidade.
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