Adenomiose Leve: Manejo Inicial da Menorragia

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente com 39 anos, sem filhos, vem à consulta referindo fluxo menstrual aumentado nos últimos três meses. Traz ecografia transvaginal sugestiva de adenomiose leve e difusa e hemoglobina de 12,2g/dL. Qual a conduta inicial correta no acompanhamento dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Realizar calendário menstrual, reavaliar em 6 meses e suplementação preventiva de ferro.
  2. B) Prescrever análogo do GnRh por 6 meses e suplementação injetável de ferro.
  3. C) Internar para uso de suplementação de ferro injetável e tratamento cirúrgico (histerectomia)
  4. D) Prescrever análogo do GnRh, suplementação injetável de ferro e reavaliar em 30 dias.

Pérola Clínica

Adenomiose leve com menorragia e Hb normal → conduta conservadora inicial com monitoramento e ferro profilático.

Resumo-Chave

Em casos de adenomiose leve e difusa com menorragia, mas sem anemia significativa (Hb 12,2g/dL), a conduta inicial é conservadora. Isso inclui monitoramento dos sintomas (calendário menstrual), reavaliação periódica e suplementação preventiva de ferro para evitar anemia futura, já que o fluxo aumentado pode levar à depleção das reservas.

Contexto Educacional

A adenomiose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico no miométrio, causando sintomas como menorragia, dismenorreia e dor pélvica crônica. Sua prevalência é variável, afetando principalmente mulheres multíparas na perimenopausa, mas pode ocorrer em nulíparas. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por ultrassonografia transvaginal e confirmado por histopatologia após histerectomia. O manejo da adenomiose depende da gravidade dos sintomas, desejo de fertilidade e idade da paciente. Em casos leves com menorragia e sem anemia significativa, a abordagem inicial é conservadora. Isso inclui o monitoramento do padrão menstrual, uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para dismenorreia e, crucialmente, a suplementação preventiva de ferro para evitar a anemia ferropriva devido à perda sanguínea crônica. Opções terapêuticas mais avançadas incluem contraceptivos hormonais (orais, injetáveis, DIU de levonorgestrel), análogos de GnRH (com uso limitado devido a efeitos colaterais e reversibilidade) e, em casos refratários ou quando a fertilidade não é mais desejada, a histerectomia, que é o tratamento definitivo. A escolha da conduta deve ser individualizada, considerando o perfil e as expectativas da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns da adenomiose?

Os sintomas mais comuns da adenomiose incluem menorragia (sangramento menstrual intenso e prolongado), dismenorreia (cólicas menstruais severas) e dor pélvica crônica, especialmente durante a menstruação.

Quando a suplementação de ferro é indicada na menorragia por adenomiose?

A suplementação de ferro é indicada preventivamente em casos de menorragia, mesmo com hemoglobina normal, para evitar a depleção das reservas de ferro e o desenvolvimento de anemia ferropriva a longo prazo devido à perda sanguínea crônica.

Quais são as opções de tratamento conservador para adenomiose?

As opções conservadoras incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para dor, contraceptivos hormonais (pílulas, DIU de levonorgestrel) para controlar o sangramento e a dor, e, em alguns casos, análogos de GnRH por tempo limitado.

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